
Foi irónico a simultanemanete triste que hoje, o dia em que comprei finalmente a edição de Setembro (que já me escapava à muito), tenha sido também a triste data da revelação de um enorme vazio que nasce agora na imprensa portuguesa: a "Premiere" deixará de ser publicada em Portugal, sendo a edição de Outubro a última da revista.
Longe de ser uma revista perfeita, a "Premiere" era ainda assim a única publicação inteiramente dedicada à Sétima Arte do mercado português. Gostemos ou não da revista (eu, pessoalmente, era um comprador assíduo), existe agora um vazio. Um triste vazio não só na nossa imprensa, mas também no actual panorama cinematográfico português.
Esperemos que surja em breve uma outra publicação capaz de ocupar o vazio que agora existe. Uma publicação que consiga talvez até mesmo superar a "Premiere". Quem sabe... talvez uma nova publicação feita por esta geração cinéfila que existe agora na blogoesfera portuguesa, e que já é ela própria como uma enorme e gigantesca "Premiere" online, feita por centenas de colaboradores...
Vou agora continuar a saborear lentamente esta edição de Setembro, sabendo que de Outubro será a última... a última "A Guerra das Estrelas", o último "Os Dias de Criswell"...
A última edição de uma revista que, para o melhor e para o pior, era inegavelmente um pedaço significativo do universo cinéfilo português.
Podem ler aqui o comunicado/despedida de José Vieira Mendes.
segunda-feira, setembro 17, 2007
Adeus, Premiere
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domingo, setembro 16, 2007
Lembram-se daquele comentário áudio ao "The Fountain" que o Aronofsky disse que qualquer dia colocava na Internet?

Voilá. Ainda não o ouvi do princípio ao fim, como tenciono fazer enquanto vejo o filme, mas já estive a dar uma olhadela (aka a ouvir um pouco) e... para os que esperavam uma completa explicação do filme... lamento, mas não terão isso. Mas, afinal de contas, o que haverá para explicar num filme cuja história se rege mais por sentimentos do que factos, e em que a trama em si é talvez o factor menos importante? Aronofsky quer que o filme seja aberto à interpretação, que cada espectador veja o filme à sua própria maneira... e assim será. Mas, ainda assim, o comentário (pelo que ouvi) expõe um ou outro tema existente no filme... ou seja, não esperem pensar "Ahhh, então é isto que aquilo significa!", mas antes "Ahhh, não sabia que aquilo, além de significar aquilo que eu achava que significava, também significa isto!".
Aronofsky fez uma meditação, não uma explicação.
E ainda bem, já que desta forma "The Fountain" mantém-se como um exemplo magnífico daquela que é uma das mais poderosas caracterísiticas do cinema (e da arte em geral): a sua subjectividade. E além disso, é também um enorme exemplo do quão poderoso e único um filme pode ser, já que "The Fountain" é, pura e simplesmente, uma experiência arrebatadora.
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quinta-feira, setembro 13, 2007
Momento hilariante (e sábio!) do dia III
Amem-no ou odeiem-no... é complicado não respeitar este homem.
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Gonçalo Trindade
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quarta-feira, setembro 12, 2007
O Túmulo dos Pirilampos, de Isao Takahata
Nota: esta crítica discutirá alguns aspectos importantes da trama desta obra. Se ainda não viram o filme e desejam sem qualquer tipo de conhecimento da sua história, por favor não leiam esta crítica. Apesar de o desfecho da história ser revelado logo no seu início, mas enfim... Esta é uma obra incrível, e não quero correr o risco de a estragar a alguém.

Lágrimas
"O Túmulo dos Pirilampos" é uma obra que nos entra de rompante no nosso ser, dirige-se ao nosso coração, parte-o em pedaços, e ao mesmo tempo sussurra-nos ao ouvido algo que deverá ficar connosco durante o resto dos nossos dias. Este é um filme devastador. Emocionalmente devastador. Digo sem preconceitos que "O Túmulo dos Pirilampos" é o mais triste, comovente, tocante filme que vi até hoje.
É, por isso, complicado falar desta obra-prima. A ligação criada com o espectador é de tal forma forte que este tem dificuldades em exprimir o que sente em relação a ela. Posso dizer, no entanto, que este é talvez o mais poderoso filme anti-guerra jamais feito. Mas ao mesmo tempo arrependo-me de dar a este filme a etiqueta de "filme anti-guerra". É anti-guerra, sim, mas é também muito mais que isso.
Esta é a história de dois irmãos: Setsuko, uma jovem rapariga de quatro anos, e Seita, um jovem rapaz de catorze anos. Ambos são vítimas de um bombardeamento durante a Segunda Guerra Mundial, sendo obrigados a procurar refúgio em casa de sua tia. Ela, no entanto, começa gradualmente a tratá-los com desprezo, guardando para ela e os seus convidados grande parte da comida, e acusando-os de serem inúteis para o país em estado de guerra. Seita decide então pegar na sua irmã e abandonar a casa de sua tia, de forma a poderem viver sozinhos da forma que decidirem. Encontram um pequeno refúgio, similar a uma caverna, e decidem fazer desse lugar a sua nova casa. Infelizmente, a comida começa rapidamente a escassear, e a sobrevivência dos irmãos é ameaçada.
"O Túmulo dos Pirilampos" é, pois, na sua forma mais básica, uma história de sobrevivência. O seu desfecho, no entanto, é revelado imediatamente no início do filme: ambas as crianças morrem. E, ao longo de todo o filme, o espectador acompanha os seus espíritos à medida que estes relembram o passado antes da sua morte.
O facto de sabermos desde o seu início o desfecho do filme torna-o ainda mais devastador em termos emocionais. Vemos os dois irmãos a tentarem desesperadamente sobreviver, vemo-los a tentarem cuidar um do outro, vemo-los com a tão típica inocência e esperança da juventude... mas nada disso os poderá salvar do seu fim trágico. Pois serão ambos vítimas não da guerra em si, mas do tipo de sociedade que dela deriva. Vítimas do médico que trata Setsuko com indiferença; vítima da tia que os trata com desprezo: vítimas do enraivecido agricultor que apanha Seita a roubar por desespero. São, pois, vítimas de uma sociedade derivada de um conflito que tolda as mentes dos habitantes de um país, tornando-os insensíveis, e até mesmo egoístas. Tal sociedade, consequência de um conflito que já por si tem inevitáveis efeitos devastadores, não foi feita para suportar duas inocentes crianças que desejam apenas sobreviver. A tragédia de Seita e Setsuko era inevitável dentro de tal sociedade.
"O Túmulo dos Pirilampos" foi realizado por Isao Takahata, co-fundador (juntamente com o grande Hayao Miyazaki) do Estúdio Ghibli. Ninguém faz animação como o estúdio Ghibli, mas esta é de longe a sua obra mais emocional e poderosa. É um drama de um poder incrível que revela que a animação japonesa (o chamado "anime") não é apenas um género, mas antes um estilo dentro do qual existem vários géneros. Existe, infelizmente, o preconceito de que a animação é apenas para crianças. Os filmes do Estúdio Ghibli já há muito que demonstraram o quão errado é esse preconceito. "O Túmulo dos Pirilampos" não é uma comédia familiar, não é um filme com feiticeiros e magia, não é um filme em que tudo acaba bem no final... é um poderosíssimo drama. Um drama que, por acaso, é animado.
E o filme ganha com isso. Não consigo imaginar esta obra como um filme de imagem real (existe uma versão em imagem real... mas essa concentra-se na perspectiva da tia, e não na dos irmãos). O cinema de animação sempre teve uma certa magia que lhe permite várias coisas, entre elas o realçar dos sentimentos das personagens. Esse realçar atinge o seu auge com a obra-prima de Isao Takahata. Os animadores criaram duas personagens incrivelmente humanas, seja no incrível pormenor da forma como Setsuko treme de medo após um bombardeamento, ou na forma como a boca de Seita se deforma quando este chora.
O grande trunfo do filme é o desenvolvimento da relação entre os dois irmãos, tratada de uma forma extremamente realista (magnífica a forma como mostram os irmãos a brincar na praia, ou a brincarem no banho... pormenores que podem não ser de uma necessária importância para a história, mas que são de uma extrema importância para aquilo que o filme quer transmitir). Seita age como um rapaz de catorze anos, e Setsuko age como uma rapariga de quatro anos. E ambos agem como dois irmãos reagiriam, brincando um com o outro, cuidando um do outro, preocupando-se um com o outro... de facto, "O Túmulo dos Pirilampos" é um filme que transmite mais realismo e mais emoção (é, tal como já disse, o filme mais triste/comovente que vi até hoje) que grande parte dos filmes de imagem real que existem por aí.
Este não é um filme fácil. Chorei como já não chorava há muito quando o vi, e marcou-me como uma obra cinematográfica raramente consegue. E é por isso que é o melhor filme anti-guerra que jamais vi. De todos os filmes anti-guerra que vi até hoje, este atreve-se a ir onde os outros não se atreveram. Não existe embelezamento, apenas realismo. Existe esperança, mas ela não se confirma. E, tal como várias outras crianças, Seita e Setsuko são vítimas de uma guerra que não pediram, de uma guerra na qual não participam.
Este é um filme que viverá comigo até ao fim dos meus dias. É um filme cuja lição não deve ser esquecida para que o passado não se repita no futuro. E para que nunca esqueçamos aqueles que pereceram pelos erros cometidos no passado.
"O Túmulo dos Pirilampos" é uma obra tão poderosa quanto obrigatória, e deve urgentemente e obrigatoriamente ser visto por qualquer amante da vida humana. Apenas assim poderemos verdadeiramente perceber os horrores da guerra, e derramar lágrimas por aqueles que pereceram no passado. Muitas, muitas lágrimas.
10/10
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terça-feira, setembro 11, 2007
Desafio
Resposta ao (excelente e original) desafio que me foi lançado pelo Cataclismo.
1) Pegar no livro mais próximo: "Dune", de Frank Herbert
2) Abri-lo na página 161: Uh hu...
3) Procurar a 5ª frase completa: 'The blasted carryall disappeared'
4) Colocar a frase no Blog: Feito
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo): Não escolhi nem a melhor frase nem o melhor livro (apesar de ter a possibilidade de ter feito ambos).
6) Passar o desafio a 5 pessoas:
Wasted Blues
And She Said
Grandes Planos
Movies Confidential
CinePt
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segunda-feira, setembro 10, 2007
Olha! Já passou um ano!
Foi há precisamente um ano atrás que criei este pequeno canto, fruto do meu desejo de comunicar com uma uma comunidade cinéfila em tão amplo crescimento e tão diversificada como o é a blogoesfera portuguesa. Desejava expôr a minha opinião e ouvir a dos outros. Queria aprender, partilhar... entrar em contacto com outros cinéfilos. Porque, afinal de contas, o cinema foi feito para ser discutido e, acima de tudo, partilhado.
Este meu pequeno canto deu-me a possibilidade de fazer tudo isso. Tenho tido a oportunidade de interagir com todo o tipo de pessoas, e de aprender com isso. Aprendi não só sobre cinema mas também sobre... digamos, a natureza da arte no geral. E também sobre as relações humanas que se podem criar neste fabuloso meio que é a Internet.
A todos os que visitam este blogue, o meu enorme obrigado. E um obrigado igualmente grande para todos os outros bloguistas que povoam esta blogoesfera, que me inspiraram ao ponto de criar o "Cinefolia", e que ainda hoje me inspiram e entretêm com as suas palavras.
Desejo poder continuar a crescer e a aprender no meio desta maravilhosa comunidade. E esperemos que o blogue possa, ao longo de mais um ano, reflectir isso mesmo.
Já passou um ano... que venham muitos mais (ou pelo menos mais alguns...)!
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sábado, setembro 08, 2007
Dragonball Z: O Filme... de imagem real (?!!)
"Looking for a job in the movie industry? It might not be a bad idea to move to Montreal, where -- as The Montreal Gazette reports -- three big-budget projects are scheduled to start filming in the next nine months.
The movies -- all of which are being distributed by 20th Century Fox -- include the Night at the Museum sequel, Another Night; Roland Emmerich's Fantastic Voyage remake; and the long-planned Dragonball Z adaptation. It's this last title that's probably of most interest to the RT faithful, and though the article isn't exactly long on details, it does mention that each of the films carries a budget of at least $100 million, and says all three of them are "expected to wrap production by next July."
The Dragonball Z anime series, which originally ran from 1989 to 1996 (and was itself a sequel to the 1986-1989 Dragon Ball series), adapted creator Akira Toriyama's hugely successful 1984-1995 manga for television audiences. With all that history -- not to mention a devoted worldwide fanbase -- mounting a live-action film adaptation is much easier said than done, which is part of why Fox has had Dragonball Z in and out of development for years. Some fans had (perhaps wishfully) given it up for dead, but it's apparently on a fast track; presumably, we'll be hearing more details soon.
For more information on these projects -- including a few extra tidbits about Another Night and Fantastic Voyage -- click the link below."
Fonte:
Rottem Tomatoes
Sim. Parece que isto vai mesmo acontecer.
Ora bem... eu cresci nos anos 90. Eu vivi toda aquela loucura do "Dragon Ball Z", do "Pokémon" (e considero mesmo alguns dos filmes "Pokémon" bons filmes de animação... e agora o blogue acabou de perder qualquer tipo de credibilidade que pudesse ter vindo a ter), e etc etc.
Hoje em dia ainda tenho uma certa afectividade por esta anime. Mais por valores nostálgicos que outra coisa qualquer (apesar de a animação, mesmo hoje em dia, ser de boa qualidade). Fui ver o filme quando estreou no cinema e é claro que o adorei (até me lembro que houve uma certa controvérsia quando estreou por cá... dizia-se que era demasiado violento).
E sejamos honestos... com uma dobragem destas, era impossível não gostar da série.
E agora vão fazem um filme de imagem real a partir daquela que é discutivelmente uma das mais populares animes de sempre. De imagem real. E é de Hollywood. Eu não digo que seja impossível fazer bons filmes a partir de animes (um dos meus filmes predilectos é o absolutamente incrível "Casshern", baseado na respectiva anime), muito pelo contrário... mas duvido muito que Hollywood consiga pegar na anime e... digamos, interpretá-la da forma correcta.
Ou seja, eles vão pegar nisto:
E transformá-lo nisto:
Mas será que não podem deixar a minha infância em paz? Enfim... será interessante ver um actor qualquer com uma peruca a voar preso por fios gritando ao mesmo tempo "KAMEHAMEHAA!!". Quem sabe... talvez até seja uma bela comédia.
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sexta-feira, setembro 07, 2007
Esta magnífica comunidade cinéfila...
Peeping Tom é um pequeno fórum de cinema criado pelo Paulo como descendente directo do extinto Cinestesia. O fórum é ainda relativamente recente, e é de um potencial enorme. Por lá fazem parte alguns ilustres bloguistas (ou será mais adequado dizer "bloggers"? Enfim...) da blogoesfera portuguesa, e todas as conversas são de um tom casual e ao mesmo tempo algo intimista, algo que nunca antes tinha encontrado desta forma nas outras comunidades cinéfilas (que aparecem tão frequentemente inundadas por aquela irritante espécie apelidada de "fanboy"...). Tenho, por isso, uma certa afeição por este pequeno canto.
Faço este post pela mesma razão pela qual criei este blogue: quero contactar com cinéfilos. Quero aprender, quero que as minhas opiniões sejam ouvidas enquanto que ao mesmo tempo oiço as dos outros. Creio que este pequeno fórum é talvez um dos melhores lugares para que isso aconteça, e faço por isso agora este pequeno e tão merecido momento de... digamos, publicidade.
Peeping Tom é uma comunidade que merece sem dúvida a atenção da comunidade cinéfila portuguesa. Por isso mesmo, juntem-se a nós (que final de post tão "Batatoonesco", mas enfim...)!
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quinta-feira, setembro 06, 2007
Épico e Intemporal
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segunda-feira, setembro 03, 2007
Sympathy for Mr. Vengeance, de Park Chan-Wook

Ambiguidade moral
"Sympathy for Mr. Vengeance", o primeiro da trilogia de Park Chan-Wook em relação ao complexo tema que á a vingança, é o mais cru, o mais brutal e o mais trágico dos três filmes. O filme conta a história de um jovem surdo que, de forma a obter o dinheiro necessário para o transplante de fígado que a irmã necessita, rapta uma rapariga de forma a pedir um resgate ao pai. A história vai-se lentamente desenvolvendo numa história de vingança em que o espectador é confrontado com a questão colocada no próprio título do filme: o filme possui dois "senhores vingança"... mas para qual deles vai a nossa simpatia? Ambos têm uma razão para o seu desejo vingativo, ambos são personagens consumidos por esse desejo. Nenhum deles é um herói, nem nenhum deles é um vilão... estão apenas consumidos por um desejo que nasceu de uma dor que nenhum deles consegue controlar. Como diz, a certa altura do filme, uma das personagens para outra: "Eu sei que és um bom tipo... mas sabes porque é que te tenho de matar, não sabes?".
O filme é todo ele uma (poderosa, deprimente e trágica) experiência. Park Chan-Wook filmou esta obra de uma forma... crua, mas ao mesmo tempo poética. Os ângulos todos eles magnificamente calculados, os efeitos sonoros do ambiente desconcertantes e usados de forma perfeita, e a banda-sonora do mais minimalista possível aparece em momentos apenas estritamente necessários para dar ao filme um tom ainda mais trágico, cru, e poderoso. O filme tem apenas os diálogos necessários, sendo esta uma obra que fala maioritariamente através de longos planos repletos de uma poesia trágica como raramente vemos no cinema. O filme está, ainda assim, repleto de pequenas pitadas de um extremamente subtil humor negro... algo que ajuda ainda mais a estimular o tom tão característico desta obra-prima.
Os actores fazem todos eles um trabalho fabuloso (com uma pequena menção especial para a adorável rapariga que faz de raptada... de uma inocência e jovialidade tocante). O filme trata as suas personagens como seres humanos, com as suas falhas e as suas qualidades. Lentamente, todas elas vão caindo numa espiral que não podem controlar. Uma espiral de vingança e de dor.
Em "Oldboy", Park filmou a vingança como extremo do ser humando... um extremo da nossa decadência, da nossa obcessão. Em "Lady Vengeance", filmou a vingança como um acto que, apesar de por vezes talvez podendo ser considerado "justo", nunca traz aquilo que o vingador deseja verdadeiramente: redenção... ou o desejo do regresso de uma certa paz. Em "Sympathy for Mr. Vengeance" a vingança é um acto humano.... e, como grande parte dos actos humanos, é ambíguo. Existe sempre um outro lado, existe sempre uma consequência. E essa consequência nunca pode ser controlada.
Sendo Park um realizador com um estilo algo expressionista (podemos, pois, compará-lo a Aronosky) este queria que, ao longo de "Sympathy for Mr. Vengeance", a cor fosse lentamente desaparecendo, até que a meio do filme este se tornasse a preto-e-branco. Infelizmente, o orçamento do filme não permitiu o uso de tal efeito. É uma pena, já que (e uso agora as palavras de Jamie Russel, crítico de cinema) "essa técnica teria sido perfeitamente adequada a este tour de force niilista, no qual não existem as cores preto e branco... apenas tons de cinzento".
"Sympathy for Mr. Vengeance" é um filme tão deprimente e poderoso quanto obrigatório, e seria apenas a primeira de apenas três obras-primas que criariam uma das mais incríveis trilogias jamais vistas no cinema. Trilogia essa que revelou Park Chan-Wook como um dos grandes visionários do cinema contemporâneo.
10/10
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sábado, setembro 01, 2007
Obrigado, Cinemateca!
Dia 6 de Setembro, 5º feira, será o dia em que a Cinemateca irá passar o mais popular filme de Akira Kurosawa: "Os Sete Samurais". Infelizmente, eu nunca antes tive a oportunidade de visionar esta suposta (e provável) obra-prima. Mas esta quinta-feira matarei dois coelhos de uma só cajada: irei ver finalmente a obra de Kurosawa, e farei também a minha primeira visita à Cinemateca, algo que já desejo fazer há anos. Nunca se proporcionou, mas irei finalmente visitar aquele verdadeiro santuário dedicado ao Cinema. Se passarem por lá na quinta, eu vou ser o tipo excitado que não se cala (antes do filme, claro, e nunca mas nunca durante o seu visionamento) e que anda de um lado para o outro a observar tudo com um sorriso no rosto.
"Os Sete Samurais" passará fazendo parte do ciclo no ciclo "Um País, um Género: o Japão e o Cinema Histórico", ciclo este que ocorrerá durante o mês de Setembro, sendo exibidos durante os dias de semana, sempre às 15:30, um filme ou documentário dedicado ou proveniente deste país. Teremos, pois, filmes de Myiazaki, Kurosawa, Mizoguchi, e Kitano.
Para mais informações acerca da programação da Cinemateca durante o mês de Setembro, cliquem aqui: http://cinemateca.pt/imgs/programacao/doc.pdf
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quinta-feira, agosto 30, 2007
Warner Brothers ordena cortes a "Sweeney Todd"

A Warner Brothers, numa tentativa de obter uma classificação PG-13 para o filme, ordenou que fossem cortadas algumas cenas de violência extrema do mais recente trabalho de Tim Burton: "Sweeney Todd", um filme baseado no famoso musical que fala de um barbeiro homicida.
Ora bem, observemos a premissa... é a história de um barbeiro homicida contada por Tim Burton... será que a Warner não esperava já algumas cenas de... erm... uma certa violência? Será que eles não viram o que este (brilhante) cineasta fez ao "Batman" (falo acerca do tom negro/gótico que ele deu ao herói, e não da forma como ele pegou num livro de banda-desenhada e a partir daí fez uma obra-prima da sétima arte)? Enfim... a estreia do filme nos Estados Unidos está marcada para 21 de Dezembro. É óbvio que a Warner está a tentar aproveitar-se da típica época Natalícia... mas em vez de um filme para toda a família, temos a história de um barbeiro homicida contada pelo cineasta mais gótico (e, volto a dizer, brilhante) do cinema contemporâneo. Tenho o palpite que a Warner está a cometer o mesmo erro que cometeu com o "The Fountain"... esta é a forma (e a altura) errada de tentar vender um filme deste género ao público.
Por cá, é óbvio que o filme não chegará em Dezembro. Mas, chegue quando chegar, este é um dos filmes que mais ansiosamente aguardo.
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Gonçalo Trindade
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terça-feira, agosto 28, 2007
sábado, agosto 25, 2007
Mediocridade
Após o tão mauzinho "Alien VS Predator"... será que precisamos mesmo de uma sequela? Será que não podiam deixar as duas sagas em paz? Ahh Hollywood... tu e as sequelas. Aparentemente, os realizadores deste segundo capítulo acham que litros e litros de sangue são o ingrediente principal na criação de um bom filme.
Infelizmente... estão errados.
Como diria o grandioso Conan O'Brien no grandioso "Late Night", este filme irá ser absolutamente "craptastic".
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quarta-feira, agosto 22, 2007
Ratatouille, de Brad Bird
Quando o novo e o velho se misturam
Sempre gostei de Brad Bird. A minha admiração por ele nasceu após este ter feito o absolutamente magnífico "The Iron Giant", um filme de animação com uma profundidade a maturidade como já não se via há muito no cinema americano. Após essa magnífica obra, veio "The Incredibles". E eu não gostei particularmente de "The Incredibles". Pareceu-me um filme desequilibrado, que tentava ser profundo e manter ao mesmo tempo um sentido cómico inerente aos filmes de animação. Respeitei a tentativa de Bird, mas não a apreciei muito.
Mas eu sabia que Brad Bird era extremamente talentoso. Sabia que ele tinha potencial para ser um dos grandes autores do cinema de animação contemporâneo. Faltava apenas mais uma obra que confirmasse esse potencial, esse talento...
E aqui está ela. "Ratatouille" é ainda melhor que "The Iron Giant", é um clássico instantâneo do cinema de animação, um filme de um sentido clássico e de uma honestidade que são de génio. E a consagração de Brad Bird como (tal como já disse) um dos grandes autores do cinema de animação contemporâneo. Porque o cinema de Bird é verdadeiro cinema de autor. "Ratatouille" é um filme intimo, pessoal... e é por isso que é um filme brilhante. Bird fez o filme com amor, criando uma obra que foge aos clichés do género e de uma complexidade emocional (a personagem do crítico, interpretada na perfeição por Peter O'Toole, é um dos melhores exemplos disso) magnífica.
De facto, "Ratatouille" é um pouco como um upgrade da magia dos antigos filmes da Disney (convém mencionar que este é o primeiro filme feito após a fusão da Pixar com a Disney). Um filme que tem essa magia, mas ao mesmo tempo inova em termos de complexidade e actualidade. Não temos canções nem animação em 2D... temos antes personagens realistas, humanas, e um filme com um argumento imaculado, que mantém o espectador interessado do início ao fim, criando uma história que nunca cai na previsibilidade.
Visualmente, o filme é (tal como a Pixar nos tem vindo a habituar) uma verdadeira pérola. Os humanos são criados de uma forma caricatural, dando ao filme um ar vivo e energético. As ratazanas (que apenas o são de espécie, garanto-vos) são também elas maravilhosamente criadas, cada uma com o seu ar característico. Garanto-vos que, no final, é impossível não sentirmos uma fortíssima ligação com a personagem de Remy (interpretado na perfeição por Patton Oswalt), a jovem ratazana que deseja ser um cozinheiro na cidade das luzes (e da melhor comida): Paris. Brad Bird consegue, de forma brilhante, recriar e transmitir sentimentos humanos a partir de um ser que não é um humano. De facto, ninguém faz isto melhor que a Pixar.
Acho curioso ouvir pessoas a apelidar "Ratatouille" de comédia. As piadas (sempre de bom gosto e de bom coração) existem, sim, mas são usadas apenas como utensílios de modo a dar o tom perfeito ao filme. E, além disso, elas têm sempre um objectivo... quer seja para revelar o quão desastrado Linguini (o rapaz que faz parceria com Remy, aproveitando os dotes culinários do animal), ou para revelar o quão determinada é Colette (a única mulher existente na equipa de cozinheiros do restaurante). "Ratatouille" não é uma simples comédia. É um filme profundo, intímo, clássico e complexo ao mesmo tempo.
Brad Bird criou um clássico instantâneo do cinema de animação. Um filme que relembra os antigos filmes da Disney que povoavam a nossa infância, ao mesmo tempo criando um filme talvez mais complexo, actual e intímo que esses próprios filmes. É um filme honesto, clássico, intimo, e profundo. A mensagem de "Ratatouille" (não estamos condicionados pelas nossas origens ou pela nossa situação actual... nem todos podem ser um génio, mas um génio pode aparecer de qualquer lado) tem tanta importância hoje como daqui a trinta anos.
É um dos filmes do ano e dos grandes filmes de animação da década (juntamente com "Finding Nemo" e "A Viagem de Chihiro"). Um clássico instantâneo que prova aquilo que julgávamos impossível: afinal de contas, aquela magia dos antigos filmes 2D não desapareceu. Apenas se manifesta de uma outra forma.
9.5/10
(Aviso-vos já que, com um revisionamento, é bem provável que isto suba para um 10 redondo)
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terça-feira, agosto 14, 2007
Momento hilariante do dia II

Cliquem na imagem para a poderem ver no seu tamanho original.
Nota: O facto de esta pequena crónica se chamar "Momento hilariante do dia" não significa que eu faça posts destes todos os dias (eu é que simplesmente não resisti em mostrar já esta pequena pérola à Wasted)! Estas pérolas são complicadas de encontrar... estou a ver que dentro em breve terei de colocar um ou outro cartoon de minha autoria...
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segunda-feira, agosto 13, 2007
sábado, agosto 11, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
Parabéns, M. Night Shyamalan!

Manoj Nelliyattu Shyamalan, mais conhecido por M. Night Shyamalan, nasceu à 37 anos atrás. Ficou famoso pelo filme "O Sexto Sentido", pelo qual foi nomeado ao Óscar de Melhor Realizador. À medida que a sua carreira foi progredindo, o mesmo aconteceu à sua carreira, e os seus filmes foram, na minha opinião, sendo gradualmente melhores. A sua magífica Obra-Prima, "A Vila", é um filme que eu considero como um dos melhores da década. Uma obra de uma poesia arrebatadora, e que consegue estimular tanto o coração do espectador como a sua mente. Foi um filme odiado pela crítica americana (os críticos americanos têm mesmo de começar a ter uma mente mais aberta...), mas extremamente bem recebido pela crítica europeia. "Lady in the Water", o seu mais recente filme, pode não ser tão bom como "A Vila", mas é ainda assim um filme absolutamente magnífico, tendo sido uma das melhores obras a estrearem nas nossas salas no ano de 2006. Não posso afirmar que seja um filme "pior" que "A Vila". É, simplesmente, um filme diferente, que aborda um tema diferente de uma forma diferente. "A Vila" era uma história de amor com contornos de crítica social. "Lady in The Water" é uma fábula com contornos de crítica à natureza humana (nomeadamente, à nossa perda de inocência e da capacidade de simplesmente ACREDITAR).
O que de melhor se pode dizer de Shyamalan é isto: tem 37 anos, e fez ainda apenas 7 filmes... mas já é um dos mestres do cinema contemporâneo.
Deixo aqui ao lado uma pequena sondagem que creio ser adequada à ocasião.
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domingo, agosto 05, 2007
Death Proof, de Quentin Tarantino

Profundo entretenimento
Quentin Tarantino é um génio. Se olharmos para a sua filmografia, veremos que nenhum filme que ele fez até agora está abaixo da excelência. Até mesmo os seus dois piores filmes ("Kill Bill vol.1" e "Jackie Brown") são filmes verdadeiramente excelentes. Tarantino é simplesmente um dos grandes reaizadores da sua geração, e um dos grades realizadores do cinema contemporâneo. E isso é algo que mais uma vez se confirma com este "Death Proof", a homenagem de Tarantino aos filmes B que tanto o inspiraram.
Tarantino tem um dom. Ele consegue fazer um filme de um determinado género, homenageando esse género ao mesmo tempo que o inova. Este "Death Proof" não é apenas mais um filme de série B... este é o filme de sére B do Tarantino. Um filme que pega nas características do seu género, e a partir delas faz algo verdadeiramente incrível, algo novo, algo inovador. E apenas Tarantino consegue fazer filmes assim.
"Death Proof" é uma das melhores experiências que jamais tive numa sala de cinema. Diverti-me como já não me divertia há bastante tempo. Mas não é apenas entretenimento. É uma homenagem de uma realizador ao género que o inspirou. "Death Proof" é um filme feito com amor, e isso notsa-se. Seja nas maravilhosas citações a filmes do mesmo género, seja na brilhante banda-sonora, "Death Proof" é um filme que vive pelo amor do seu realizador. Amor esse que passa para o próprio especador. Tarantino divertiu-se a fazer este filme, e é essa mesma diversão que passa para o espectador. Um diversão á base do amor por um género, amor pelo cinema.
"Death Proof" é o filme B perfeito. Temos um conjunto de raparigas do mais sexy possível, e um vilão (magnífico Kurt Russel!) simplesmente espectacular; uma banda-sonora que ainda mais acrescenta ao tão perfeito ambiente de toda a obra; uma das melhores perseguições de carros jamais feitas no cinema; maravilhosas referências não só a outros filmes B, mas também a outros filmes deste mesmo realizador (sinal não de arrogância por parte de Tarantino, mas antes de reconhecimento do tipo de público que vai ver os seus filmes... e são também pequenos pormenores que ele próprio gosta de ver nos seus filmes).
"Death Proof" é uma magnífica obra-prima. Um dos filmes do ano. Um dos filmes dos últimos anos, já agora. Tarantino criou uma magnífica e imperdível experiência.
Saí do cinema com um enorme sorriso estampado no rosto (o filme tem um final simplesmente brilhante, que é como o culminar de todos os sentimentos que o espectador sentiu ao longo da obra), e isso, meus amigos, já é dizer muito. Mesmo, mesmo muito.
10/10
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quinta-feira, agosto 02, 2007
Vi finalmente...

...esta magnífica obra-prima. E à medida que visionava, com lágrimas nos olhos (obra extremamente comovente, este "Cartas de Iwo Jima") este magnífico, emocionalmente complexo filme do grande Clint Eastwood, uma pergunta vagueava-me pela mente: porque é que este senhor...
...não recebeu sequer uma nomeação ao Óscar? Enfim... este grande Ken Watanabe continua a não receber o valor merecido. Ele, que foi a melhor coisa d'"O Último Samurai" e do "Memórias de uma Gueixa". Ele, que tem uma presença incrível. Ele, que consegue hipnotizar o espectador com o seu talento.
Enfim... um actor extremamente subvalorizado, este grande Ken Watanabe.
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sábado, julho 28, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
Finalmente!


Após sabe-se lá quanto tempo à espera, "Blade Runner", a obra-prima de Ridley Scott, terá finalmente um lançamento em DVD digno. Serão lançadas uma edição de dois discos, uma de quatro discos, e uma de cinco discos (sendo esta última lançada naquela maravilhosa mala que está nas imagens de cima), além do lançamento de versões HD-DVD e BluRay.
A versão de dois discos terá a versão final do filme (aquela em que Scott tem andando a trabalhar durante anos), além de um complexo documentário (apelidado de "Dangerous Days: Making Blade Runner").
A versão de quaro discos terá tudo aquilo que a de dois dicos possui, e ainda mais três versões do filme ( a versão teatral, o Director's Cut, e a versão internacional), e ainda um disco repleto de featurettes e outros extras.
A edição de quinto discos terá, além daquela maravilhosa mala, a mítica WORKPRINT VERSION, uma lendária versão de "Blade Runner", considerada a mais diferente de todas as outras.
Tudo isto terá lançamento nos Estados Unidos a 18 de Dezembro, mas tendo em conta que este será muito provavelmente um lançamento mundial (tal como foi com o pack "Superman", e outros do género), é bem provável que seja lançado por cá nessa mesma data.
Além de tudo isto, a nova versão de "Blade Runner" (Final Cut) terá lançamento em algumas salas de cinema nos Estados Unidos, e será tambem mostrada no Festival de Veneza.
Mas que belas notícias. Após tanto tempo de espera, iremos ver finalmente uma edição DVD digna da qualidade, da importância, da magnitude desta obra-prima.
Mais informações (incluindo detalhes exactos acerca dos vários extras das várias edições) podem ser encontradas aqui: http://www.thedigitalbits.com/articles/br2007/announce.html
Eu bem queria colocar aquele link inserido na palavra "aqui"... mas as minhas capacidades de uso do Blogger ainda são algo limitadas.
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quarta-feira, julho 25, 2007
Harry Potter e a Ordem da Fénix, de David Yates

Atribulada adolescência
"Harry Potter e a Ordem da Fénix" é a quinta adaptação dos famosos (e brilhantes, como eu já tantas vezes afirmei neste blog) livros de J.K. Rowling. Este é o quinto de sete filmes baseados em sete livros. E como é que são os filmes, comparados com os livros? Bem... os filmes são como os livros... com bastantes coisas cortadas, e com tudo a decorrer em fast-forward. Ou seja, nenhum dos filmes até agora conseguiu chegar sequer aos calcanhares do respectivo livro. No entanto, na minha opinião, estes filmes devem ser julgados tal e qual como aquilo que são: filmes. Ou seja, devemos julgá-los e analisá-los como obras cinematográficas, em vez de simples adaptações de obras literárias previamente criadas.
Assim sendo, posso afirmar que creio que todos os filmes conseguiram até agora manter um extremamente aceitável nível de qualidade. E o mesmo acontece com este "Harry Potter e a Ordem da Fénix", o mais negro e mais adulto dos cinco filmes até agora criados.
Agora com quinze anos, Harry Potter (Daniel Radcliffe) atravessa aquela atribulada fase da puberdade, tendo ao mesmo tempo de se preocupar com o facto de o Ministério da Magia não reconhecer que Lord Voldemort regressou. Na tentativa de impedir que Harry e Dumbledore (um hiperactivo e irritante Michael Gambon) convençam o resto da população de feiticeiros que Voldemort (um sempre agradável Ralph Fiennes) regressou de facto, é enviada para Hogwarts, com o objectivo de espiar/manter sob controlo o que se passa na escola, Dolores Umbridge (fantástica Imelda Staunton), que ocupa na escola o cargo de professora.
Daniel Radcliffe está igual a si mesmo (ou seja, suficiente apenas para transmitir à personagem a profundidade necessária para que o espectador se preocupe minimamente com aquilo que lhe acontece), e o mesmo se pode dizer acerca de Emma Watson (que faz de Hermione Granger) e Rupert Grint (que faz de Ron Weasley). De facto, neste filme nem Emma nem Rupert têm grande coisa que fazer, já que toda a história ocorre à volta de Harry e dos seus problemas hormonais (problemas esse que Rowling trata de uma forma exagerada no livro respectivo, criando assim o pior capítulo da saga). Tanto Ron como Hermione são apenas os amigos de Harry Potter... e nada mais.
Felizmente, temos Imelda Stunton num papel simplesmente fabuloso, que cria uma Dolores Umbridge fascinante e desagradável ao mesmo tempo, dando ao filme uma tão necessária magia que de outra forma este poderia não ter. Gary Oldman faz um belo papel como Sirius Black, o padrinho de Harry, e o maior mérito do filme é o facto de este conseguir mostrar a profundidade da relação entre ambos. Sirius revive em Harry a amizade que tinha pelo seu pai, James Potter, e Harry vê em Sirius a possibilidade de ter aquela família que nunca teve. A relação entre Sirius e Harry nunca tinha sido tão explorada como neste filme, e David Yates sabe exactamente como a desenvolver, comovendo o espectador com a relação entre este padrinho e o seu afilhado. É claro que é óbvio que este desenvolvimento ocorre apenas na tantativa de dar mais ênfase e poder a uma certa coisa que acontece numa certa parte do filme... mas ainda assim, é uma bela exploração destas duas personagens.
O filme tem todo ele um ambiente mais negro e mais adulto que os filmes anteriores, mas ainda assim não é uma obra tão conseguida como "Harry Potter e o Cálice de Fogo". David Yates não consegue dar a profundidade emocional necessária a um filme que é, à partida, todo ele sobre a adolescência e os seus múltiplos problemas. Ainda assim, a forma como Yates aproxima a história é minimamente interessante, e o filme consegue, tal como disse, manter um muito aceitável nível de qualidade. E, tendo em conta que do pior dos sete livros saíu um dos melhores filmes, não posso evitar ficar curioso em relação à forma como este realizador irá fazer a adaptação de "Harry Potter and the Half-Blood Prince", esse sim um livro verdadeiramente magnífico.
Mas por agora ficamos com este "Harry Potter e a Ordem da Fénix" que, apesar de não ser um grande filme (tal como nenhum deles o foi até agora), proporciona ainda assim uma bela ida ao cinema, divertindo e emocionando o espectador durante as suas duas horas e quinze minutos de duração (sendo, pois, este o mais curto dos cinco filmes... curiosamente baseado no maior livro da saga).
7/10
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segunda-feira, julho 23, 2007
O fim de uma saga
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"'Harry Potter,' he said, very softly. His voice might have been part of the spitting fire. 'The boy who lived'"
Há medida que era o primeiro da grande fila Na Bertrand do Centro Comercial Colombo (e só tive de esperar uma hora e vinte minutos para ser o primeiro!), ansioso pela meia-noite, sentia-me algo triste por saber que nunca mais poderia fazer isto. Não falo de ir às onze e tal para o Colombo para comprar um livro (foi a primeira vez que o fiz), mas antes de ansiar por saber como iria continuar a brilhante história criada por J.K. Rowling. Este "Harry Potter and the Deathly Hallows" seria o final de uma das mais populares (e, se me permitem, das melhores) sagas literárias do nosso tempo. O fim de uma história que eu adoro, o fim de uma viagem de dez anos (no meu caso não dez, mas aproximadamente uns seis ou sete) que começou com a primeira aventura deste joven feiticeiro, "Harry Potter and the Philosopher's Stone".
Restava-me esperar que este último capítulo fosse um final satisfatório para a saga.
E, de facto, "Harry Potter and the Deathly Hallows" é um final extremamente satisfatório. Na realidade, este pode até mesmo ser o melhor capítulo de toda a saga. É, sem dúvida, o mais adulto, o mais negro, o mais emocional. Todas as perguntas são respondidas, todas as personagens têm o seu destino traçado (sendo esse destino, em muitos casos, a morte... um tema abordado de uma forma brilhante e profunda por Rowling neste último capítulo). É uma conclusão maravilhosa para uma saga maravilhosa sobre crescimento, amadurecimento, e todas aquelas facetas misteriosas da natureza humana.
E agora que já desabafei, este blog voltará a entrar novamente em modo cinéfilo.
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sexta-feira, julho 20, 2007
A razão pela qual me irei isolar do mundo nos próximos dois ou três dias...

Sendo eu um enorme fã desta saga, só largarei o livro depois de o ter lido. E assim chegará ao fim uma das mais belas sagas literárias que já tive (e que, muito provavelmente, jamais terei) o prazer de ler.
Lá estarei hoje à meia-noite para levantar a minha cópia.
E o mais recente filme nem é mau, mas isso fica para outra altura...
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quinta-feira, julho 19, 2007
É impressão minha...
...ou eu sou a única pessoa no mundo (ou pelo menos do mundo cinéfilo) que não se rala minimamente com isto?
Vamos meditar no assunto. O trailer deste "Cloverfield" (ou "1-18-08", ou sei lá como é que se chama) está giro, sem dúvida nenhuma que está giro. Mas o trailer não diz absolutamente nada acerca do filme em si, e as únicas coisas que mostra são uma explosão engraçada e a cabeça da Estátua da Liberdade. Mas o impacto que este trailer teve na comunidade cinéfila deriva todo ele do facto de ter aparecido do nada, tendo sido lançado com o "Transformers" sem qualquer aviso prévio. Se tivessem feito o mesmo com o "Armageddon" (mostrando neste caso a população em pânico enquanto caía um ou outro meteorito) ou com o "The Day after Tomorrow" (mostrando neste caso... sei lá, ou tornados, ou tempestades de neve, ou algo do género), o impacto teria sido exactamente o mesmo. Mas, mesmo com este impacto, o "Armageddon" ou o "The Day After Tomorrow" não deixariam de ter sido aquilo que são: filmes mauzinhos.
Por isso eu pessoalmente vou esperar calmamente por um trailer que revele alguma coisa acerca da história do filme propriamente dita, ou por um pequeno resumo da premissa do filme.
Pessoalmente, não me ralo muito. Tendo em conta que é do J.J. Abraams, e depois daquela coisa irritante que foi o "Missão: Impossível 3"...
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segunda-feira, julho 16, 2007
"Antes do Amanhecer"/"Antes do Anoitecer", de Richard Linklater


Essência da Juventude/Essência do Amadurecimento e, acima de tudo, Essência do Amor
"Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer", de Richard Linklater, são dois maravilhosos filmes (ou antes, um único filme, uma única história dividida em duas partes) sobre a profundidade que pode ser encontrada nos momentos mais simples. Um jovem americano (Jesse, interpretado por Ethank Hawke) e uma jovem francesa (Celine, interpretada por Julie Delpy) conhecem-se num comboio, e decidem passar o dia em Veneza, onde conversam sobre... enfim, sobre tudo aquilo que compõe a existência humana. Apaixonam-se, e quando se têm de separar, prometem voltar a encontrar-se seis meses depois naquela mesma estação. Esta é a história de "Antes do Amanhecer", um filme que retrata de forma perfeita o que é ser jovem, com todos os seus ideais e a sua ingenuidade e, acima de tudo, toda aquela paixão tão característica da juventude.
Mas o casal não se encontrou seis meses depois. Tal reencontro ocorre, no entanto, nove anos depois, quando o jovem americano (que agora já não é assim tão jovem) vai a Paris promover o seu novo livro... baseado na noite que passou com aquela francesa por quem se apaixonou. Reencontram-se, e passam o dia em Paris a pôr a conversa em dia, expondo um ao outro aquela perda de romancismo que tão inevitavelmente ocorre com o crescimento... e expondo, acima de tudo, o que sentem ainda um pelo outro.
"Antes de Amanhecer" e "Antes do Anoitecer" recriam de forma perfeita o ganho e a perda do amor e do romance. Enquanto que "Antes do Amanhecer" é um retrato perfeito do que é ser jovem (idealista, romântico, apaixonado...), "Antes do Anoitecer" é um filme mais maturo, um retrato perfeito do que é perder esses ideais, esses sentimentos que possuíamos quando éramos jovens. E os dois filmes são ainda uma maravilhosa história de amor. Por várias vezes, Jesse lamenta o facto de não se terem encontrado naquela estação deis meses depois. "A nossa vida poderia ter sido tão diferente", lamenta ele. Mesmo após nove anos, o amor que une os dois não desapareceu. Julie, por outro lado, está frustrada. Frustrada pelo sentimento de desilusão proveniente do facto de não se terem encontrado seis meses depois. Porque ambos sabem que o seu amor teria continuado... tal como sentem tentados a continuá-lo agora, nove anos depois.
O final de "Antes do Anoitecer" é algo abrupto, e sem dúvida aberto à interpretação. O final perfeito para esta história de amor, já que cabe ao espectador terminar ele próprio uma história que, no final, é tanto dele como do espectador... pois é impossível não nos sentirmos de certa forma retratados naquelas duas personagens, na sua paixão, nos seus idealismos, no seu crescimento. "Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer" acaba pois por não ser só uma simples história de amor, mas também uma maravilhosa fábula sobre existência humana.
10/10
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quinta-feira, junho 28, 2007
Trailer de "Eastern Promises", o novo filme do grande David Cronenberg
Após o excelente "A History of Violence", e tendo em conta a interessante e fascinante direcção que a carreira de Cronenberg tem andado a tomar nos últimos anos (uma carreira essa que nunca, nunca deixou de ser interessante ou fascinante... mas nos últimos anos este realizador tem revelado uma faceta diferente daquilo a que estamos habituados), as minhas expectativas face a este "Eastern Promises" não podem deixar de ser altas. Estou confiante que será mais um belo filme deste fascinante realizador.
Sai em Setembro nos Estados Unidos.
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segunda-feira, junho 25, 2007
E um dos próximos projectos de Aronofsky será...

Ainda sem confirmar exactamente qual será o seu próximo filme (diz-se por aí que ou será "Black Swan", um thriller psicológico que se tem lugar no mundo do... ballet; ou então, "The Fighter", um drama passado no mundo do boxe, e que tem no elenco Matt Damon e Mark Wahlberg, um filme para o qual Aronofsky já foi confirmado como realizador... só não se sabe é quando é que o raio do filme será feito), Darren Aronofsky disse recentemente que um dos seus próximos filmes será sobre... a Arca de Noé. Aparentemente baseado num poema que Aronofsky escreveu quando estava na sétimo ano, este será um filme que revelará o lado mais fantástico, mais sci-fi desta famosa história. Convém relembrar que uma comédia baseada nesta mesma fábula religiosa irá sair em breve: "Evan Almighty", com Steve Carell, que interpreta a mesma personagem que interpretou em "Bruce Almighty".
O argumento de Aronofsky está praticamente pronto, mas o seu próximo filme não será esta fábula sobre uma arca que era como um zoo ambulante. Antes disso, o realizador afirma preferir fazer algo mais pessoal. Tendo em conta que o último filme mais pessoal que este realizador fez acabou por ser uma verdadeira obra-prima (falo, obviamente, de "The Fountain"... a segunda obra-prima deste realizador, que já nos tinha trazido o incrível "Requiem for a Dream"), estou extremamente ansioso para ver qual será o próximo filme deste visionário.
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sexta-feira, junho 22, 2007
Requiem for a Dream, de Darren Aronofsky
"Até a esperança se pode tornar num vício" - Darren Aronofsky
"Requiem for a Dream" é um filme que pode ser resumido numa simples palavra: poderoso. Sei que soa a cliché, mas de todos os filmes que vi até hoje, este é sem dúvida um dos mais poderosos. Isto deve-se, basicamente, à linguagem cinematográfica de Aronofsky, que explora de uma forma extremamente expressionista os lados mais obscuros da natureza humana. Neste caso, a tendência que o ser humano tem de fugir à realidade em vez de a enfrentar. "Requiem for a Dream" é, de facto, uma história sobre vícios. Quatro histórias interligadas, sobre quatro pessoas que vêm os seus sonhos (e as suas vidas) desfeitas pelo seu vício na droga. E na esperança.
Aronofsky filma, sem melodramatismos, a vida destas quatro pessoas. A sua decadência como seres humanos. Os seus sonhos desfeitos. Realmente, este é um dos mais desgastantes, emocionalmente poderosos filmes que vi até hoje. Todo o filme vai sendo lentamente conduzido para o absolutamente incrível clímax final, que deixa o espectador literalmente paralisado.
O filme foi filmado usando a "hip-hop montage", no qual uma acção complexa é rapidamente mostrada ao espectador usando como recurso séries rápidas de gestos simples. Neste caso, não apenas gestos mas também outros tipos de imagens e sons. Com isto, Aronofsky consegue transmitir ao espectador o vício, a repetição destas personagens. Curiosamente, este uso poderoso do factor "repetição" é algo que Aronofsky usa também no seu mais recente filme, a obra-prima "The Fountain"... mas esse filme fica para outra altura (assim que arranjar coragem, ou até mesmo perícia suficiente para lhe fazer uma crítica). A própria montagem hip-hop já tinha sido (brevemente) usada por este visionário no seu filme de estreia, o belo "Pi". Tal como a chamada "Snorri Cam", um método no qual a câmara é literalmente presa ao corpo do actor ou da actriz, filmando a sua cara ou outra parte do corpo (normalmente a cara, creio eu), à medida que esta se movimenta. Uma das mais poderosas cenas de "Requiem for a Dream" é quando uma desgastada, deprimida Jennifer Connely faz uma trágica e lenta viagem de elevador, após se ter usado a si mesma fisicamente de forma a arranjar algum dinheiro para saciar o seu vício. Esta viagem é feita com a câmara presa ao seu corpo e apontada à sua cara, ao mesmo tempo que a incrível banda-sonora do talentoso Clint Mansell acompanha a cena.
Clint Mansell criou verdadeiramente uma banda-sonora de culto com este "Requiem for a Dream". O tema principal do filme, "Lux Aetherna" (uma muito livre adaptação de uma obra de Mozart com o mesmo nome que é parte, se não me engano, da mítica "Requiem"), tem hoje múltiplas versões, e é constantemente usado em trailers, reportagens de TV, etc etc. Mas é neste filme que se vê verdadeiramente o poder desta música, e Clint Mansell e Darren Aronofsky fazem sem dúvida uma das melhores duplas compositor-realizador do cinema contemporâneo.
Esta obra é um filme em que tudo funciona de uma forma perfeita. A prestação dos actores é fenomenal (INCRÍVEL Ellen Burstyn, que entra numa das mais bem actuadas cenas que eu vi até hoje... nomeadamente, a cena na qual ela revela a, neste caso, tristeza de ser idosa...). Aronofsky criou uma experiência verdadeiramente incrível, que nos faz acordar para certos lados, certos perigos da natureza humana.
"Requiem for a Dream" transformou Aronofsky num realizador de culto, e é de facto uma verdadeira obra-prima que deve ser visionada por todos, sejam eles cinéfilos ou não.
Uma verdadeira lição sobre natureza humana, sobre vícios e fugas da realidade.
"Requiem for a Dream" é, tal como já disse, um dos mais poderosos filmes que vi até hoje.
10/10
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sábado, junho 16, 2007
"Happiness isn't a right. It's an achievement" (Orson Welles)
Nunca poderei exprimir por palavras o quanto eu admiro, o quanto eu respeito este homem. Orson Welles é sem dúvida um dos mais importantes/dotados cineastas que jamais existiram... não só pelas suas obras, mas também pelo homem que era.
Uma verdadeira inspiração para qualquer cinéfilo.
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quinta-feira, junho 14, 2007
Ainda sobre o DVD de "The Fountain"...
Segundo o BluePlanet, a data de lançamento de "The Fountain" no nosso país em DVD será no dia 27 de Junho. Pessoalmente, estou surpreendido... normalmente, costumam demorar vários meses até um DVD sair em território nacional. Neste caso, foram apenas três.
É uma bela notícia.
Ainda assim, aquela edição francesa de dois discos... resta-me ver que extras é que essa edição terá exactamente (será que simplesmente colocaram o filme no primeiro disco e os extras no segundo, sendo estes os mesmos da edição normal que iremos receber no nosso país?), e se as legendas em francês não são obrigatórias (a mania que os franceses têm de fazer isso... já com a minha edição francesa do "Pi" que comprei na Fnac foi o mesmo...). A nossa edição e a francesa saem com a diferença de apenas alguns dias (a francesa sai mais tarde, no dia 5 de Julho).
Mas digam o que disserem, a edição francesa sempre tem esta agradável capa:
A Premiere já fez a sua (pequena, muito pequena) crítica à edição nacional, dando-lhe três estrelas (tanto ao filme como ao DVD). Os extras são, tal como esperado, iguais a todas as outras edições europeias (tirando talvez a francesa). Ou seja, temos direito a mais um faturette que a edição americana. Enquanto que a edição de região 1 tem apenas um documentário dividido em seis partes("The Fountain: Death and Rebirth"), a nossa edição terá esse documentário e ainda um featurette, apelidado de "Life On Ship".
Enfim... resta agora ver se a edição francesa tem, de facto, mais extras que a edição normal.
Aproveito também para dizer que Darren Aronofsky afirmou recentemente no seu blog (as maravilhas do MySpace) que, indepedentemente do facto de o estúdio não o ter deixado fazer um comentário para o DVD, ele próprio gravou um comentário áudio para o filme, comentário esse que será em breve colocado no site ComingSoon.net.
Grande, grande Aronofsky...
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domingo, junho 10, 2007
DVD de "The Fountain"
Digam o que disserem, há vantagens em viver na Europa. Nomeadamente, esta:
http://www4.fnac.com/Shelf/article.aspx?PRID=1978940&Mn=3&Mu=-13&SID=&TTL=&Origin=FnacAff&Ra=-3&To=0&Nu=1&UID=&Fr=0
Além da edição normal PAL de "The Fountain" ter mais extras que a versão americana, os franceses irão ter uma edição especial desta obra-prima (convém lembrar que França foi o país no qual "The Fountain" teve mais sucesso em termos económicos).
Duvido que esta edição especial de dois discos seja lançada por cá em edição nacional... mas temos várias Fnacs por todo o país, além desta maravilhosa invenção que é a Internet.
Devo ainda dizer que a capa da edição DVD de região 1 é esta:
Enquanto que a de região 2 é esta:
Ambas as capas são horríveis... mas a da edição francesa já é bastante agradável. Mas se tivessem feito a capa a partir do poster original...
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sábado, junho 02, 2007
The Air I Breathe

Um dos filmes que eu mais aguardo este ano. Um elenco magnífico, numa obra baseada num provérbio Chinês segundo o qual a vida pode ser dividida em quatro pilares emocionais: felicidade, prazer, sofrimento e amor.
Forest Withaker é a Felicidade, Sarah Michelle Gellar é o Sofrimento (estou confiante que ela fará um papel óptimo), Brendan Fraser é o Prazer, e Kevin Bacon é o Amor. E temos ainda no elenco Andy Garcia.
Após ter sido apresentado no Tribeca Film Festival (e em Cannes, recentemente), o filme recebeu tantos insultos como elogios da crítica. Algo que, muito sinceramente, aumenta ainda mais as minhas expectativas (um filme que divide as audiências é sempre um filme especial...).
Ainda não tem data de estreia (só recentemente é que foi assinado o contracto com uma distribuidora), e resta-me apenas esperar que não leve muito até chegar às nossas salas de cinema.
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sábado, maio 26, 2007
Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo
"You're mad!"
"Thank goodness for that because if I wasn't, this'd probably never work."
Chegou finalmente o muito aguardado final da (espero eu...) trilogia que tornou Johny Depp num dos mais famosos actores da sua geração, e ressuscitou um género que há muito estava morto. Os primeiros dois filmes foram de um enorme (e inesperado) sucesso, criando personagens carismáticas e uma trama complexa que chega agora ao fim com este "Nos Confins do Mundo", onde temos novamente Bill Nighy como um capitão metade lula, metade... outras espécies marinhas; Orlando Bloom como um rapazola qualquer que quer salvar a namoradinha; Keira Knightley como a namoradinha que quer ser pirata; Geoffrey Rush como um (excelente) pirata que passou de inimigo a aliado; Chow-Yun Fat como um (também excelente) pirata de Singapura; e Johny Depp como o incomparável Jack Sparrow. E no que é que resultam todas estas personagens, todas elas com os seus diferentes objectivos e história própria?
Tudo isto resulta no blockbuster perfeito. "Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é um magnífico blockbuster, que consegue de forma magistral desenvolver de forma perfeita todas estas personagens, dando-lhes uma conclusão mais que satisfatória, criando assim uma trama complexa que consegue ao mesmo tempo manter aquele tão característico humor dos dois primeiros filmes. Este será, muito provavelmente, o melhor blockbuster que veremos este ano.
Em praticamente três horas, temos uma história repleta de traições, revelações, humor e épicas cenas de acção. O argumento do filme é verdadeiramente excelente, já que consegue tratar todas as personagens com a devida importância, não havendo nenhuma cena desperdiçada ao longo de todo o filme. Os argumentistas sabiam em que direcção levar a história, sabiam a forma adequada de encaixar todas as pequenas peças do puzzle, e fizeram-no de forma exemplar. Isto resulta maravilhosamente com o estilo de Gore Verbinski (realizador dos três filmes), que além de saber exactamente onde colocar e como criar as cenas de acção, sabe também dar o tom perfeito a cada cena, seja ela dramática ou cómica. E temos ainda a maravilhosa equipa de efeitos visuais, criadores de cenários e batalhas (magnífico clímax final) que são verdadeiros festins para os olhos, além de darem ainda a caracterização perfeita a todas as personagens criadas por CGI, que se fundem perfeitamente com as personagens e os cenários reais.
Além de tudo isto, temos um maravilhoso elenco que aparenta estar a divertir-se ao máximo com as suas personagens. Chow Yun-Fat personifica um maravilhoso pirata, e aproveita ao máximo o tempo em que aparece no ecrã; Geoffrey Rush transpira estilo e pirataria por todos os poros; e o resto do elenco mantém a qualidade a que nos tem habituado (até aquele rapazolas do Orlando Bloom deixou de irritar tanto!).
E temos Keith Richards como pai de Jack Sparrow numa cena que é, numa única palavra, mágica.
De facto, todo o filme é mágico. Esta saga conseguiu criar uma complexa e única mitologia e uma trama complexa que fascina e maravilha o espectador. "Nos Confins do Mundo" não se leva demasiado a sério como fez o primeiro filme, e consegue ser mais profundo, mais elaborado, mais cómico, mais complexo, mais fascinante que o segundo.
É bom saber que ainda existem por aí filmes que conseguem ser, pura e simplesmente, excelente, magnífico enretenimento. Filmes que transportam o espectador para um novo mundo, que não se levam demasiado a sério (apesar de este terceiro capítulo ser, como já disse anteriormente, o mais profundo da trilogia, e conseguir manter de forma perfeita um nível de seriedade que o primeiro filme tentava possuir mas não merecia, e a que o segundo filme pura e simplesmente não aspirava), e que fazem o espectador sorrir mantendo ao mesmo tempo o seu cérebro activo.
"Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é o blockbuster perfeito. Um filme que sabe exactamente o que quer fazer e fá-lo de forma magistral. Uma excelente final para uma boa saga, que atinge o seu auge neste terceiro capítulo... e sejamos honestos: acerca de quantas trilogias podemos dizer isto?
8.8/10
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quarta-feira, maio 16, 2007
Comovente
Magnífico. Simplesmente magnífico. É provável que a maior parte de vocês já o tenha visto, mas um vídeo assim vale sempre a pena relembrar (por mais emocionalmente poderoso que seja).
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terça-feira, maio 15, 2007
Grandes momentos musicais
Um dos mais subvalorizados filmes da Disney. Fui vê-lo ao cinema tinha eu seis aninhos, e nunca me saiu da memória.
Magnífica banda-sonora de um magnífico filme que, na minha opinião, nunca recebeu o valor devido. Ahh, o que a Disney fazia antigamente... antes de ter ficado sem imaginação/talento e ter ganho aquela obsessão por sequelas que em nada se comparam aos originais.
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sábado, maio 12, 2007
Bernardo Sassetti, dia 18 de Maio, em Faro

O grande Bernardo Sassetti (de quem eu fiquei fã, após ter visionado o magnífico "Alice) irá, num concerto em que também comemora o 10º aniversário do seu trio (Sassetti no piano, Carlos Barreto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria), estrear em Faro a sua última composição musical, "Suite Para Dom Roberto", numa encomenda do Cineclube de Faro.
O concerto em questão será dia 18 de Maio, na 6ª feira, no Teatro das Figuras (Teatro Municipal de Faro), pelas 21h30.
Mais informações aqui http://www.cineclubefaro.com/web/programacao/default.asp?p=e&s=3f&d=05&yr=2007.
Tomei conhecimento deste concerto pelo comentário colocado pelo cineclube de faro no blog http://imagensperdidas.blogs.sapo.pt, na crítica feita a "Spider-Man 3".
Transcrevo aqui aquilo que foi colocado neste blog:
"Desculpe a intrusão, mas é o “desespero” a falar :-) a comunicação social dita respeitável não nos liga muito... e dado o seu interesse pelo tema...
enfim, fica a informação!
obrigado.
a direcção do CCF"
A direcção coloca de seguida no comentário a informação que eu coloquei no início deste post.
Mais uma vez, vê-se de facto o interesse da comunicação social pela arte portuguesa. Situações destas irritam-me. Toda a gente sabe do concerto da Beyoncé, mas não se fala do Bernardo Sassetti, um dos grandes artistas que o nosso país tem (o homem fez a banda-sonora do "Alice", pelo amor de Deus! Além das suas outras obras, é claro).
Esta comunicação social realmente de respeitável não tem grande coisa. O desinteresse da imprensa pela arte nacional (e internacional...) é algo que acaba, eventualmente, por ser reflectido no povo português, que continua a ir ao cinema ver qualquer coisa desde que não seja um filme português, e faz o mesmo com a música. Por estas e por outras, as bandas portuguesas e os artistas portugueses de que mais se fala são as Floribelas, os Dzrt, e os 4taste (mas será que nem sequer conseguem arranjar nomes de jeito para estas bandas?!). Têm mais publicidade, claro (e a culpa também é da juventude portuguesa, que não tem uma mentalidade aberta o suficiente para tentar ouvir coisas que não estejam na... "moda"... apesar de podermos afirmar que esta mentalidade é também ela própria fruto do desinteresse da imprensa do qual já falei).
Enfim... situãções destas irritam-me profundamente.
E raios quem me dera viver perto de Faro!
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Gonçalo Trindade
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sexta-feira, maio 11, 2007
Spider-Man 3, de Sam Raimi
Devo dizer que tinha baixas expectativas quando entrei na sala de cinema. A única coisa que ouvia era "blah blah três vilões blah blah venom blah blah um dos filmes americanos mais caros de sempre blah blah". Isto era algo que me assustava verdadeiramente. TRÊS vilões? "Homem-Aranha 2" resultou tão bem devido ao magnífico Alfred Molina, que criou um Doc Ock algo nobre e ameaçador, e devido a um argumento excelente que desenvolvia de forma maravilhosa a relação entre este vilão e o seu inimigo respectivo (Homem-Aranha, obviamente). Mas então... como é que iriam conseguir fazer isso com três vilões? Os meus receios confirmaram-se, e essa relação tão maravilhosa existente em "Spider-Man 2" não ocorre em "Spider-Man 3".
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Gonçalo Trindade
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domingo, dezembro 03, 2006
Análise de Banda-Sonora: The Fountain, de Clint Mansell
Intelecto-Pessoal
No início, a banda-sonora do aguardado filme «The Fountain» era para ser algo épico, algo com um ritmo mais rápido, com um maior uso de coro, etc etc. Darren Aronofsky decidiu, no entanto, que seria melhor fazer uma banda-sonora mais pessoal, que se concentrasse mais em transmitir os sentimentos das personagens.
E é exactamente isso que esta excelente banda-sonora é.: extremamente pessoal... mas ao mesmo tempo verdadeiramente única.
Clint Mansell e o Kronos Quartet composeram uma banda-sonora com um tom... algo sci-fi punk. A forma como os sons mais agudos, as próprias melodias mais comuns que são usadas... tudo isso transpira um estilo diferente daquilo a que estamos habituados. Pessoal e diferente ao mesmo tempo.
Mesmo as músicas mais épicas, (a incrível, emocionalmente resonante «Death is The Road to Awe») conseguem fazer o espectador sentir um pouco os sentimentos que as personagens devem estar a sentir naquele momento, em vez de simplesmente o impressionar com a forma como a música foi criada. Tendo em conta que eu ainda não vi o filme (vai uma aposta em como as distribuidoras só o vão lançar em DVD?), tenho de deixar a minha imaginação criar aquela cena em particular. Isso é, no entanto, surpreendentemente fácil de fazer, pois as músicas moldam a minha imaginação, transportam-me pelos sentimentos das personagens.
Todas as músicas têm um certo tom emocional que dá para perceber perfeitamente o tipo de filme que irá ser «The Fountain». A maravilhosa música «The Last Man», que é tocada apenas por um piano, revela todo o poder emocional que o filme poderá ter, e a música em si está composta de forma excelente, com aquele tom triste que acalma e leva o ouvinte numa onda de sentimentos.
O único defeito da banda-sonora poderá ser a repetição em algumas músicas, nas quais as mesmas melodias são tocadas demasiadas vezes, até a música avançar finalmente para o seu clímax.
Mas no geral, Clint Mansell compôs uma excelente banda-sonora. Imagino que, quando ouvida e experimentada juntamente com o filme, o efeito emocional de todas estas músicas é ainda maior.
Esperemos que o filme não demore muito a chegar ao nosso país (mas continuo com o palpite que as distribuidras só o irão lançar em DVD... esperemos que eu esteja errado).
8.5/10
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Gonçalo Trindade
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sexta-feira, dezembro 01, 2006
Casino Royale. de Martin Campbell
Reboot
Grande parte dos fãs torceu o nariz quando foi anunciado que Daniel Craig iria ser o novo 007, após o abrupto e inesperado despedimento de Pierce Brosnan por parte dos produtores da saga.
Muitos disseram que era um erro, afirmando que Craig não poderia ser um bom James Bond, devido ao facto de ser louro, e de não ter aquele ar de galã tão característico dos anteriores intérpretes do agente secreto. Exacto. O homem é louro, logo é um mau actor.
Lembro-me de pensar para mim próprio... "Mas que raio? Será que ninguém viu o Munique?".
Pois... parece-me que não viram, não...
Descontentes com a direcção que a série estava a tomar (e com muita razão! Hale Berry como Bond Girl? Tema principal da Madonna? Efeitos visuais a torto e a direito? A saga estava a banalizar-se em cada novo capítulo...), os produtores da saga decidiram que era necessário um reboot, um novo capítulo que fizesse Bond regressar às origens.
Adapta-se um filme do primeiro romance de Ian Fleming, contrata-se um actor tão diferente do habitual James Bond, e traz-se de volta o realizador que anteriormente trouxe a série de volta. Mas será que isso resolveu mesmo o problema?
Sim. «Casino Royale» é um excelente filme, e Daniel Craig soube calar todos os que o criticavam, interpretando um James Bond o mais próximo possível do que foi idealizado por Ian Fleming.
Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes de toda a saga. Paul Haggis escreveu um mangífico argumento, concentrando toda a complexidade da história, e sabendo manter mesmo assim a profundidade emocional de todas as personagens. De facto, este Bond tem um certo impacto emocional que nenhum dos outros filmes da saga conseguiu ter, devido à importância que dá ao relacionamento entre James Bond e Vesper Lynd, o grande amor do agente secreto.
Eva Green brilha como Bond Girl, e a sua química com Craig é um dos grandes trunfos do filme. Desta vez, a Bond Girl não existe apenas para ser conquistada por Bond. Desta vez é uma personagem com profundidade emocional, com a sua própria importância na história.
E, sejamos sinceros... em termos de beleza, Eva Green põe a maior parte das Bond Girls a um canto.
E o vilão... mas será que há alguma coisa mais deliciosa que um vilão a usar uma bomba de asma? Digam-me lá se esse não é, pura e simplesmente, um dos melhores pormenores jamais criados na caracterização de qualquer mau-da-fita?
Mads Mikkelsen é um excelente vilão, dando aquele lado malvado mas ao mesmo tempo humano que qualquer bom vilão deve ter. Le Chiffre tornou-se imediatamente um dos meus vilões favoritos de toda a saga.
Mas voltemos ao filme no geral... mencionei acima que Daniel Craig dava vida a um James Bond mais brutal, mais humano. De facto, este agente secreto é mais humano, ainda mais arrogante que o James Bond de Sean Connery ou Roger Moore. Desde quando é que James Bond tem de se ver ao espelho para cuidar das feridas? Desde quando é que James Bond é inexperiente ao ponto de caír em armadilhas? Este é o verdadeiro James Bond. O James Bond de Ian Fleming.
As cenas de acção são mais realistas e logo mais elaboradas (a perseguição perto do início do filme é espectacular), dando ao filme um carácter muito mais sério.
Basicamente, este é um magnífico reboot, um excelente regresso às origens.
Este é James Bond tal como ele deve ser, tal como foi idealizado por Ian Fleming. Mais brutal, mair arrogante, mais humano...
«Casino Royale» é um excelente filme, um filme que agradará a qualquer verdadeiro fã do agente secreto mais famoso do Mundo... e, muito provavelmente, também cativará alguns novos fãs.
Ian Fleming ficaria orgulhoso.
9/10
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Gonçalo Trindade
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sexta-feira, outubro 06, 2006
Onde estás, "Scanner Darkly"?
Lembro-me de, já há algum tempo atrás, ter descoberto que o filme "A Scanner Darkly" (baseado na obra homónima de Phillip K. Dick), iria estrear nos cinemas portugueses algures no final de Setembro.
Fiquei, obviamente, extremamemente satisfeito. "Graças a Deus que as distribuidoras não se esqueceram deste!", pensei eu.
Estando extremamente curioso para ver o filme, esperei calmamente até este estrear.
E esperei.
E esperei mais algum tempo.
E o filme foi adiado por tempo indefinido, obviamente. Estamos em Outubro, e o "Scanner Darkly" está nos cinemas? Não.
É óbvio que as distribuidoras encontraram outros filmes mais dignos de serem distribuídos por terras lusas. Filmes como "Eu, Tu e o Emplastro", "Open Water 2" (mas será que fazem sequelas de tudo, hoje em dia?), "O Coleccionador de Olhos"... enfim, filmes de uma inteligência extrema (então o do emplastro, só em termos de poder intelectual põe o "Donnie Darko" a um canto!).
E enquanto essas obras-primas estão nas salas de cinema, o "Scanner Darkly" está por aí.. algures...
Enfim... talvez o possamos encontrar, daqui a alguns meses.
Esperemos que não seja em DVD.
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Gonçalo Trindade
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