Este é... absolutamente brilhante. Do melhor que Seth Green e companhia já fizeram no seu excelente programa de sketches: Robot Chicken.
Simplesmente magnífico...
terça-feira, novembro 27, 2007
Momento hilariante do dia IV
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Gonçalo Trindade
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sábado, novembro 24, 2007
Pequena descoberta do dia
Pequenas imagens dos bastidores de "Requiem for a Dream". Extremamente interessante, nem que seja para ver a forma como Aronofsky se comporta durante as filmagens de uma das suas Obras-Primas.
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Gonçalo Trindade
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terça-feira, novembro 20, 2007
Então... será que este vai ser um daqueles directos para DVD?
"Night Watch" estreou nas nossas salas de cinema em Setembro (se não me engano) de 2005. Foi largamente publicitado como o primeiro capítulo de uma trilogia, baseada numa famosa saga literária russa. Foi um excelente e visualmente único filme de fantasia, uma pequena delícia que adorei ver numa sala de cinema. Seria de esperar, tendo sido lançado o primeiro capítulo nos cinemas nacionais, que o mesmo acontecesse com o segundo, "Day Watch". O filme estreou em Junho deste ano nos Estados Unidos, tendo sido lançado em Setembro e Outubro por vários países europeus. Mas, curiosamente... por cá nem tem estreia marcada. E eu, pessoalmente, começo a ficar assustado. Porque, tendo gostado bastante do primeiro capítulo, estou desejoso de ver o segundo. E tendo em conta que o segundo deve ser visuallmente tão espectacular como o primeiro... ficava bastante chateado se não pudesse ver isto no cinema. Mas começo a desconfiar que é isto mesmo que vai acontecer.
Enfim, espero bem que isto estreie por cá, nem que seja só no próximo ano... mas desconfio que vamos ter mais um "A Scanner Darkly" para adicionar à lista (ou então ainda hão-de lançar o filme só em duas salas...).
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domingo, novembro 18, 2007
O Poeta do Som/Imagens

Se existe um filme que demonstra verdadeiramente a forma como Gus Van Sant consegue pegar em imagens em movimento (ou não), e a partir delas fazer algo de uma inegável vaga de sentimentos e de uma melancolia profunda... esse filme é "Paranoid Park". Com esta obra, Van Sant leva o seu fabuloso controlo do som e da imagem a um novo nível. Tal controlo já tinha sido mostrado nos seus anteriores filmes (particularmente com "Elephant")... mas desta vez, Van Sant atingiu verdadeiramente um novo patamar. O uso do som e das imagens (seja de um duche em que a câmara-lenta e o ensurdecedor barulho de fundo mostram o desespero da personagem principal, ou de jovens a andar de skate com um sorriso na face) são apenas instrumentos que Van Sant usa para nos colocar dentro da mente e do coração da sua personagem principal. Neste caso, Alex Tremain, um jovem que se vê envolvido na morte acidental de um segurança. Os sentimentos de culpa de tal acto aliados o isolamento típico da juventude são mostrados de forma perfeita por Van Sant, que sabe como ninguém captar a essência de uma juventude/geração. Nunca vemos Alex chorar. Nunca o vemos numa explosão de fúria ou de dor. Porque, num adolescente, o mais importante é sempre aquilo que não vemos... o interior, não a superfície. Porque existe sempre algo mais para um jovem nesta fase da vida. Algo mais que a guerra do Iraque, algo mais que as aulas de biologia... existe (como chega a dizer Alex) "um universo de cenas superiores". E apenas Van Sant consegue recriar de forma magnífica os conturbados sentimentos da adolescência... apenas ele nos consegue convidar a olhar para o verdadeiro interior das suas personagens, símbolos de uma geração, de uma juventude. Um dos filmes do ano (mas aviso já para nao ficarem à espera de algo melhor que "Elephant"!). Visualmente maravilhoso (é espectacular o que este homem fez com os skaters... e o Van Sant aliado ao Christopher Doyle...) e emocionalmente poderosíssimo.
Este filme voi visionado na última sessão do European Film Festival. Um festival que, segundo me informaram, não verificou grande afluência por parte do público. Algo compreensível, devido aos problemas de organização, à falta de pulicidade, e à falta de interesse que a imprensa revelou pelo festival. Já para não falar do espaço... aquela placa a dizer que a entrada era interdita a menores de 18 anis deve ter assustado muito boa gente (enfim... eu lá tive de entrar por uma entrada lateral, que dava acesso directo á sala...).
Pessoalmente, desejo verdadeiramente uma nova edição deste festival no próximo ano. Que se mantenha a qualidade da selecção de obras... e que se melhore a organização do festival (eu nem tenho razões de queixa, mas por mais de duas ou três vezes modificaram à última da hora a programação).
Se no próximo ano houver uma seguna edição... lá estarei.
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sexta-feira, novembro 16, 2007
Trailer de "The Air I Breathe"
Uma pequena desilusão, este trailer. É bem provável que seja uma tentativa do estúdio de banalizar e comercializar um filme único e experimental (alguém se lembra do trailer do "The Fountain"?)... a ver vamos... De qualquer forma, continuo extremamente ansioso por este filme. Nem que seja pelo elenco...
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segunda-feira, novembro 12, 2007
Tão controverso e importante quanto genial

"Redacted" é um filme que apenas um génio como Brian De Palma conseguiria fazer. Um filme que conjuga de forma incrível a noção do real e de ficção, usando tudo desde vídeos do Youtube, reportagens de televisões árabes... e um elenco de actores amadores simplesmente fabuloso. Apenas um realizador como De Palma teria o talento necessário e a coragem de fazer um filme tão experimental e único. E há ainda a mensagem desta Obra-Prima. Pois "Redacted" não é um simples filme anti-guerra... este é, acima de tudo, um filme pró-verdade.
Um dos filmes do ano. Tem estreia marcada no nosso país para 6 de Dezembro, onde estreará com o título de "Censurado".
Visionei esta Obra-Prima ontem no European Film Festival que está de momento a decorrer no Estoril (e do qual já aqui devia ter falado há mais tempo, mas enfim...). Para mais informações, consultem o site oficial.
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segunda-feira, outubro 29, 2007
Fast-food cinematográfico?

Em quatro anos, quatro filmes. Devo admitir que apenas vi os primeiros dois (o primeiro foi minimamente interessante, o segundo uma perda de tempo), mas pergunto-me... será esta uma fórmula de "quantidade acima de qualidade" aplicada ao cinema? Será que necessitamos mesmo de tantas sequelas?
Enfim, seja a resposta afirmativa ou negativa, Saw V e Saw VI já estão confirmados. E Saw IV fez 30 milhões no primeiro fim-de-semana.
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sábado, outubro 27, 2007
80 anos depois

E 80 anos depois, "Metropolis" continua a ser um filme futurista e... profético. Visualmente espectacular e moralmente poderosíssimo, este filme é cinema sci-fi no seu melhor. 80 anos depois.
"Metropolis" é incrível. Absolutamente incrível.
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quarta-feira, outubro 24, 2007
Trailer de "Slipstream", um filme escrito, realizado e interpretado por... Anthony Hopkins
Escrito e realizado pelo (grande) Anthony Hopkins, "Slipstream" é a história de um já velho argumentista (interpretado pelo próprio Hopkins) que passou toda a sua vida a viver em dois mundos: o mundo real, e o seu próprio mundo interior. Enquanto trabalhava num novo argumento, e sem sabendo que a sua mente estava à beira da implosão, as suas personagens começam a aparecer misteriosamente na sua vida em carne e osso.
Hopkins definiu "Slipstream" como um filme "estranho e peculiar". E, de facto, aqueles que já o viram concordam com o realizador.
A história (e o trailer) parece-me extremamente interessante... e o facto de vir da mente de um dos grandes actores do cinema contemporâneo aguça ainda mais o meu interesse.
Aqui está o trailer:
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sábado, outubro 20, 2007
INTENSO

Mais intenso que tipos por aí a balançar em teias. Mais intenso que uma luta de piratas em cima de um mastro no meio de uma tempestade. Mais intenso que robôs gigantes a lutarem uns contra os outros enquanto se transformam em veículos.
Porque, afinal de contas, o CGI é uma bela ferramenta... mas não há nada melhor que cenas de acção à antiga. Cenas de acção realistas, em que as personagens sangram e parecem estar mesmo em perigo.
"The Bourne Ultimatum" dá-nos tudo isso, juntamente com a fabulosa história de uma personagem dotada de uma complexidade moral como raramente se vê neste tipo de cinema. Quanto a mim, é um clássico instantâneo. E o final perfeito para uma excelente trilogia.
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quinta-feira, outubro 18, 2007
Spielberg e Jackson realizam terceiro capítulo da trilogia de "Tintin"... em conjunto?!

Numa recente entrevista, Steven Spielberg afirmou que ele próprio e Peter Jackson estão à procura de um realizador para o terceiro capítulo da sua trilogia de "Tintin"... mas ponderam, ainda assim, a possibilidade de realizarem o terceiro filme em conjunto.
Ainda não sei exactamente o que pensar em relação a isto. Cresci a ler os livros de banda-desenhada e a ver a série de animação (ahh a nostalgia que esta imagem aqui de cima me transmite...)... e não consigo imaginar o universo de Hergé numa versão cinematográfica. Fico satisfeito por serem estas duas grandes mentes a criarem a adaptação, e por terem decidido fazer os filmes em CGI... mas, muito sinceramente, não consigo evitar estar um pouco céptico.
Mas, ainda assim... um filme realizado por Jackson e Spielberg em conjunto? Isso seria o sonho de qualquer cinéfilo.
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quinta-feira, outubro 11, 2007
Momento hilariante do dia IV

Vale sempre a pena descobrir ou recordar...
Os 15 Factos mais importantes sobre Chuck Norris
Facto nº 1: As armas não matam pessoas. Chuck Norris é que mata pessoas.
Facto nº 2: A maior exportação proveniente de Chuck Norris é Dor.
Facto nº 3: Não existe nenhum queixo por baixo da barba de Chuck Norris. Existe apenas mais um punho.
Facto nº 4: Chuck Norris guia uma carrinha de gelados coberta de caveiras humanas.
Facto nº 5: As lágrimas de Chuck Norris curam o cancro. É uma pena que ele nunca tenha chorado.
Facto nº 6: Chuck Norris não vai à caça... ELE VAI À MATANÇA.
Facto nº 7: Chuck Norris não dorme. Ele espera.
Facto nº 8: Não existe nenhuma teoria sobre a evolução. Apenas uma lista de criaturas às quais o Chuck Norris permite a existência.
Facto nº 9: Chuck Norris não usa um relógio. Ele DECIDE que horas é que são.
Facto nº 10: Chuck Norris é a razão pela qual o Wally se esconde.
Facto nº 11: Chuck Norris contou até o infinito... duas vezes.
Facto nº 12: Chuck Norris não escreve livros. As palavras simplesmente se agrupam por medo.
Facto nº 13: Chuck Norris inventou o preto. De facto, ele inventou todo o espectro de cores visíveis. Menos o cor-de-rosa... o Tom Cruise é que inventou esse.
Facto nº 14: Não existem armas de destruição maciça no Iraque. Chuck Norris vive no Oklahoma.
Facto nº 15: Chuck Norris tem um profundo e grandioso respeito pela vida humana... a não ser que esta se ponha no seu caminho.
Podem consultar todos os factos aqui. Consultem-nos, ou sentirão a fúria de Chuck Norris.
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sexta-feira, outubro 05, 2007
Trailer de Sweeney Todd!
Tal como já disse, este é um dos filmes que mais anseio. E tal ansidedade é perfeitamente justificada por este trailer.
Ahh como seria bom se isto cá chegasse no Natal...
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segunda-feira, outubro 01, 2007
Novo trailer de Wall-E

Lembro-me de ter visto teaser desta próxima obra da Pixar antes do magnífico "Ratatouille", e de ter pensado para mim mesmo... "Isto vai ser algo especial". É claro que... enfim, se é da Pixar, que outra coisa seria de esperar? "Wall-E", no entanto, parece verdadeiramente maravilhoso e único, diferente daquilo que este estúdio fez até agora. O novo trailer (em francês), está aqui, e apesar de não mostrar muito mais que o teaser, fez-me pensar com maior intensidade exactamente o mesmo que esse primeiro vislumbre... isto há-de ser algo especial.
E sairá no mesmo ano da próxima obra de Myiazaki, "Ponyo on the Cliff"... palpita-me que 2008 será um maravilhoso ano para o cinema de animação. Porque Myiazaki nunca desaponta. E a Pixar também não (apesar de ainda não ter visto "Cars", essa tão chamada obra menor do estúdio...).
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sábado, setembro 29, 2007
E agora, algo completamente diferente

Sou um enorme fã dos Monty Python. De facto, grande parte da minha infância foi passada sentada em frente à televisão a ver as cassetes dos vários episódios e filmes deste incrível grupo que o meu pai foi gravando ao longo da sua vida. Os Monty Python fizeram algum do melhor humor que eu jamais vi, e deram-nos tais pérolas cinematográficas como "Em Busca do Cálice Sagrado" ou "O Sentido da Vida" (um filme que tem momentos de humor tão bons que existem alturas em que eu fico simplesmente parvo a olhar para o ecrã).
Foi, por isso, com algum cepticismo que entrei no Casino de Lisboa para ver "Os Melhores Sketches dos Monty Python", um espectáculo em que um elenco de luxo (Miguel Guilherme, Jorge Mourato, António Feio, Bruno Nogueira, e José Pedro Gomes) interpreta alguns dos mais conhecidos sketches deste tão famoso grupo... sketches traduzidos e adaptados à língua portuguesa. E esta ideia não me agradava muito. Se tentassem fazer algo novo a partir dos sketches, sem se manterem fiéis ao espírito Python... o espectáculo seria um fracasso. Porque, apesar de a equipa envolvida ser sem dúvida talentosa (além do elenco, Nuno Markl foi quem fez a adaptação/tradução dos sketches)... ninguém, mas ninguém, chega aos calcanhares dos Monty Python.
É, por isso, com uma enorme satisfação que digo que o especáculo é muito bom. Mesmo muito, muito bom. É, acima de tudo, uma magnífica homenagem, extremamente fiel ao espírito dos Python... havendo ainda espaço para uma ou outra piadita tipicamente portuguesa. O elenco é todo ele óptimo (fiquei, acima de tudo, impressionado com o Jorge Mourato, que me parecia ser o mais fraquito do elenco... mas que teve também ele uma performance fabulosa), as traduções/adaptações excelentes.. e é nostálgico ouvir o tema dos Monty Python a tocar por algumas vezes ao longo do espectáculo, ou até mesmo a voz do António Feio a dizer "E agora, algo totalmente diferente".
E além disso, a equipa atreveu-se mesmo a ir onde eu julguei que não se atreveriam, já que os sketches dos Python são mais longos e mais complexos que o normal... esperava que se ficassem pelos sketches mais curtos, mas chegaram mesmo a fazer aquele que eu considero um dos mais complexos, longos, e melhores sketches que os Python já fizeram: o incrível sketch d'A Piada Mortal.
Por isso, sejam ou não fãs dos Python, vão o mais rapidamente possível ver este maravilhoso espectáculo. Se forem grandes fãs, como eu, adorarão o espírito de homenagem e a fidelidade do espectáculo. Se nunca tiverem sequer ouvido falar dos Monty Python... preparem-se, porque depois disto ficarão fãs.
(E, numa nota à parte... desde quando é que a Pontinha se tornou tão famosa? É que, raios, esta localidade foi por duas vezes mencionada ao longo do espectáculo! E sendo eu um habitante da Pontinha... enfim... Obrigado, Nuno Markl! (é claro que não se referiam à Pontinha de uma forma muito elogiosa, mas paciência...))
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sábado, setembro 22, 2007
Finalmente! O trailer de "Southland Tales"!
Finalmente chegou até nós o trailer da obra que marcará o regresso de Richard Kelly após a sua brilhante obra de estreia: o incrível "Donnie Darko".
O trailer é magnífico e, digam o que disserem acerca do elenco, este ainda há-de ser um dos filmes do ano.
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segunda-feira, setembro 17, 2007
Adeus, Premiere

Foi irónico a simultanemanete triste que hoje, o dia em que comprei finalmente a edição de Setembro (que já me escapava à muito), tenha sido também a triste data da revelação de um enorme vazio que nasce agora na imprensa portuguesa: a "Premiere" deixará de ser publicada em Portugal, sendo a edição de Outubro a última da revista.
Longe de ser uma revista perfeita, a "Premiere" era ainda assim a única publicação inteiramente dedicada à Sétima Arte do mercado português. Gostemos ou não da revista (eu, pessoalmente, era um comprador assíduo), existe agora um vazio. Um triste vazio não só na nossa imprensa, mas também no actual panorama cinematográfico português.
Esperemos que surja em breve uma outra publicação capaz de ocupar o vazio que agora existe. Uma publicação que consiga talvez até mesmo superar a "Premiere". Quem sabe... talvez uma nova publicação feita por esta geração cinéfila que existe agora na blogoesfera portuguesa, e que já é ela própria como uma enorme e gigantesca "Premiere" online, feita por centenas de colaboradores...
Vou agora continuar a saborear lentamente esta edição de Setembro, sabendo que de Outubro será a última... a última "A Guerra das Estrelas", o último "Os Dias de Criswell"...
A última edição de uma revista que, para o melhor e para o pior, era inegavelmente um pedaço significativo do universo cinéfilo português.
Podem ler aqui o comunicado/despedida de José Vieira Mendes.
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domingo, setembro 16, 2007
Lembram-se daquele comentário áudio ao "The Fountain" que o Aronofsky disse que qualquer dia colocava na Internet?

Voilá. Ainda não o ouvi do princípio ao fim, como tenciono fazer enquanto vejo o filme, mas já estive a dar uma olhadela (aka a ouvir um pouco) e... para os que esperavam uma completa explicação do filme... lamento, mas não terão isso. Mas, afinal de contas, o que haverá para explicar num filme cuja história se rege mais por sentimentos do que factos, e em que a trama em si é talvez o factor menos importante? Aronofsky quer que o filme seja aberto à interpretação, que cada espectador veja o filme à sua própria maneira... e assim será. Mas, ainda assim, o comentário (pelo que ouvi) expõe um ou outro tema existente no filme... ou seja, não esperem pensar "Ahhh, então é isto que aquilo significa!", mas antes "Ahhh, não sabia que aquilo, além de significar aquilo que eu achava que significava, também significa isto!".
Aronofsky fez uma meditação, não uma explicação.
E ainda bem, já que desta forma "The Fountain" mantém-se como um exemplo magnífico daquela que é uma das mais poderosas caracterísiticas do cinema (e da arte em geral): a sua subjectividade. E além disso, é também um enorme exemplo do quão poderoso e único um filme pode ser, já que "The Fountain" é, pura e simplesmente, uma experiência arrebatadora.
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Gonçalo Trindade
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quinta-feira, setembro 13, 2007
Momento hilariante (e sábio!) do dia III
Amem-no ou odeiem-no... é complicado não respeitar este homem.
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quarta-feira, setembro 12, 2007
O Túmulo dos Pirilampos, de Isao Takahata
Nota: esta crítica discutirá alguns aspectos importantes da trama desta obra. Se ainda não viram o filme e desejam sem qualquer tipo de conhecimento da sua história, por favor não leiam esta crítica. Apesar de o desfecho da história ser revelado logo no seu início, mas enfim... Esta é uma obra incrível, e não quero correr o risco de a estragar a alguém.

Lágrimas
"O Túmulo dos Pirilampos" é uma obra que nos entra de rompante no nosso ser, dirige-se ao nosso coração, parte-o em pedaços, e ao mesmo tempo sussurra-nos ao ouvido algo que deverá ficar connosco durante o resto dos nossos dias. Este é um filme devastador. Emocionalmente devastador. Digo sem preconceitos que "O Túmulo dos Pirilampos" é o mais triste, comovente, tocante filme que vi até hoje.
É, por isso, complicado falar desta obra-prima. A ligação criada com o espectador é de tal forma forte que este tem dificuldades em exprimir o que sente em relação a ela. Posso dizer, no entanto, que este é talvez o mais poderoso filme anti-guerra jamais feito. Mas ao mesmo tempo arrependo-me de dar a este filme a etiqueta de "filme anti-guerra". É anti-guerra, sim, mas é também muito mais que isso.
Esta é a história de dois irmãos: Setsuko, uma jovem rapariga de quatro anos, e Seita, um jovem rapaz de catorze anos. Ambos são vítimas de um bombardeamento durante a Segunda Guerra Mundial, sendo obrigados a procurar refúgio em casa de sua tia. Ela, no entanto, começa gradualmente a tratá-los com desprezo, guardando para ela e os seus convidados grande parte da comida, e acusando-os de serem inúteis para o país em estado de guerra. Seita decide então pegar na sua irmã e abandonar a casa de sua tia, de forma a poderem viver sozinhos da forma que decidirem. Encontram um pequeno refúgio, similar a uma caverna, e decidem fazer desse lugar a sua nova casa. Infelizmente, a comida começa rapidamente a escassear, e a sobrevivência dos irmãos é ameaçada.
"O Túmulo dos Pirilampos" é, pois, na sua forma mais básica, uma história de sobrevivência. O seu desfecho, no entanto, é revelado imediatamente no início do filme: ambas as crianças morrem. E, ao longo de todo o filme, o espectador acompanha os seus espíritos à medida que estes relembram o passado antes da sua morte.
O facto de sabermos desde o seu início o desfecho do filme torna-o ainda mais devastador em termos emocionais. Vemos os dois irmãos a tentarem desesperadamente sobreviver, vemo-los a tentarem cuidar um do outro, vemo-los com a tão típica inocência e esperança da juventude... mas nada disso os poderá salvar do seu fim trágico. Pois serão ambos vítimas não da guerra em si, mas do tipo de sociedade que dela deriva. Vítimas do médico que trata Setsuko com indiferença; vítima da tia que os trata com desprezo: vítimas do enraivecido agricultor que apanha Seita a roubar por desespero. São, pois, vítimas de uma sociedade derivada de um conflito que tolda as mentes dos habitantes de um país, tornando-os insensíveis, e até mesmo egoístas. Tal sociedade, consequência de um conflito que já por si tem inevitáveis efeitos devastadores, não foi feita para suportar duas inocentes crianças que desejam apenas sobreviver. A tragédia de Seita e Setsuko era inevitável dentro de tal sociedade.
"O Túmulo dos Pirilampos" foi realizado por Isao Takahata, co-fundador (juntamente com o grande Hayao Miyazaki) do Estúdio Ghibli. Ninguém faz animação como o estúdio Ghibli, mas esta é de longe a sua obra mais emocional e poderosa. É um drama de um poder incrível que revela que a animação japonesa (o chamado "anime") não é apenas um género, mas antes um estilo dentro do qual existem vários géneros. Existe, infelizmente, o preconceito de que a animação é apenas para crianças. Os filmes do Estúdio Ghibli já há muito que demonstraram o quão errado é esse preconceito. "O Túmulo dos Pirilampos" não é uma comédia familiar, não é um filme com feiticeiros e magia, não é um filme em que tudo acaba bem no final... é um poderosíssimo drama. Um drama que, por acaso, é animado.
E o filme ganha com isso. Não consigo imaginar esta obra como um filme de imagem real (existe uma versão em imagem real... mas essa concentra-se na perspectiva da tia, e não na dos irmãos). O cinema de animação sempre teve uma certa magia que lhe permite várias coisas, entre elas o realçar dos sentimentos das personagens. Esse realçar atinge o seu auge com a obra-prima de Isao Takahata. Os animadores criaram duas personagens incrivelmente humanas, seja no incrível pormenor da forma como Setsuko treme de medo após um bombardeamento, ou na forma como a boca de Seita se deforma quando este chora.
O grande trunfo do filme é o desenvolvimento da relação entre os dois irmãos, tratada de uma forma extremamente realista (magnífica a forma como mostram os irmãos a brincar na praia, ou a brincarem no banho... pormenores que podem não ser de uma necessária importância para a história, mas que são de uma extrema importância para aquilo que o filme quer transmitir). Seita age como um rapaz de catorze anos, e Setsuko age como uma rapariga de quatro anos. E ambos agem como dois irmãos reagiriam, brincando um com o outro, cuidando um do outro, preocupando-se um com o outro... de facto, "O Túmulo dos Pirilampos" é um filme que transmite mais realismo e mais emoção (é, tal como já disse, o filme mais triste/comovente que vi até hoje) que grande parte dos filmes de imagem real que existem por aí.
Este não é um filme fácil. Chorei como já não chorava há muito quando o vi, e marcou-me como uma obra cinematográfica raramente consegue. E é por isso que é o melhor filme anti-guerra que jamais vi. De todos os filmes anti-guerra que vi até hoje, este atreve-se a ir onde os outros não se atreveram. Não existe embelezamento, apenas realismo. Existe esperança, mas ela não se confirma. E, tal como várias outras crianças, Seita e Setsuko são vítimas de uma guerra que não pediram, de uma guerra na qual não participam.
Este é um filme que viverá comigo até ao fim dos meus dias. É um filme cuja lição não deve ser esquecida para que o passado não se repita no futuro. E para que nunca esqueçamos aqueles que pereceram pelos erros cometidos no passado.
"O Túmulo dos Pirilampos" é uma obra tão poderosa quanto obrigatória, e deve urgentemente e obrigatoriamente ser visto por qualquer amante da vida humana. Apenas assim poderemos verdadeiramente perceber os horrores da guerra, e derramar lágrimas por aqueles que pereceram no passado. Muitas, muitas lágrimas.
10/10
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Gonçalo Trindade
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