sexta-feira, junho 27, 2008

Como deveria ter sido (ou não...) I

Não têm de ser necessariamente finais alternativos verdadeiros... apenas têm de ser muito, muito bons... ou muito cómicos.

Final alternativo de Silence of the Lambs:






Mais "alegre", não haja dúvida.

domingo, junho 08, 2008

Pausa

Peço desculpa por não ter escrito nada ultimamente, mas o tempo não tem sido muito. E agora, com a aproximação dos exames, será ainda menor. Farei uma pausa nas próximas semanas no Cinefolia, e voltarei depois de realizadas as provas que irão definir a minha entrada (ou não-entrada) na faculdade de cinema.
Por agora, deixo-vos aqui um dos melhores momentos da noite de sexta que foi, para mim, uma das melhores que jamais tive.



Concerto incrível.

Até já!

quinta-feira, maio 08, 2008

"Existence... what does it matter? The past is now part of my future, the present is well out of hand"



Não costumo comprar DVDs de filmes que ainda não vi. É sempre um risco. Os DVDs não são baratos, e se no final o filme não for assim tão bom... acaba por ter sido um desperdício de dinheiro. Tento fazer isso apenas com filmes com uma certa relevância cinematográfica, ou que a mim, pessoalmente, me interessam particularmente.

A compra de "Control" foi, pois, um impulso. Já tinha ouvido falar muito bem do filme, e fiquei com pena de o ter perdido no cinema, mas não planeava comprá-lo... 20 e tal euros por uma edição especial de um filme que não tinha visto? Enfim...
Mas comprei-o. Pouco ou nada conhecia dos Joy Division, e como amante de música já há algum tempo que os queria começar a conhecer melhor. Isso aliado à boa recepção que o filme teve fez com que acabasse por comprar o DVD.

E ainda bem que o fiz, porque "Control é um filme absolutamente brilhante. Muito mais que um simples biopic, é acima de tudo a fascinante história de um jovem e da forma como o controlo da sua própria vida lhe escapa, lavando-o numa espiral de dor. É história de Ian Curtis, o vocalista de uma das bandas mais influentes dos anos 80? Sim. Mas é também muito mais que isso.

O preto-e-branco é magnífico, dando ao filme uma melancolia que cria na perfeição o tom perfeito para a história. E em termos visuais, acaba por ter uma inegável beleza. E filmes a preto-e-branco hoje em dia são raros...

As interpretações são todas elas óptimas. Samantha Morton (como Deborah Curtis) e Sam Riley (protagonista, como Ian Curtis... e que excelente papel que o rapaz faz...) são espectaculares, a realização é notável (é o primeiro filme de Anton Corbijn, realizador de videoclips/fotógrafo que já trabalhou com algumas das mais importantes bandas da música... incluindo os Joy Division), e é simplesmente um filme que não falha em nenhum aspecto.

E há a banda-sonora. Como disse, pouco ou nada conhecia dos Joy Division. Mas agora sou fã. As músicas em si são óptimas, e a forma como foram usadas no filme é impressionante (a "Atmosphere"...), e quando este acabou, já era um admirador. Tanto a história da banda e do seu vocalista (Ian Curtis é fascinante...) como a própria música que faziam é incrível.

"Control" converterá qualquer um a fã dos Joy Division. Mas é muito mais que isso. Muito mais que um biopic. Não mostra Ian Curtis como um ídolo, ou como um ícone. Mostra-o tal e qual como este foi: um jovem com graves problemas, cuja vida culminou num fim trágico.

"Control" comove. Comove muito.

É uma Obra-Prima. E das melhores compras que fiz nos últimos tempos! Nem esperava que fosse tão bom...

Anseio agora pelo próximo filme de Anton Corbijn.


E como fã dos The Killers, um destaque para a excelente cover que fizeram de "Shadowplay". Corbijn gostou tanto que a usou nos créditos finais, dando ao filme no final um certo simbolismo, no qual o presente e o passado chocam: a influência dos Joy Division permanece. E sem dúvida permanecerá por muito mais tempo.

quarta-feira, abril 30, 2008

"I need the old Blade Runner. I need your magic"




Há certos filmes que, quando vistos numa sala de cinema, são uma experiência verdadeiramente mágica. Filmes que estimulam tanto a vista como o coração, que crescem e penetram no espectador quando vistos naquele grande ecrã.
Ver "Blade Runner" numa sala de cinema foi, de facto, uma experiência espectacular. Das melhores que jamais tive (juntamente com o "The Fountain", "Citizen Kane", e "Os Sete Samurais", entre outros). Vi-o pela primeira vez num VHS de qualidade duvidosa, na versão Director's Cut, e adorei. Agora, visto numa sala de cinema, adoro-o ainda mais. Não ficou um filme melhor (não notei assim tantas mudanças, neste "The Final Cut"), apenas o experienciei de forma diferente. E apercebo-me agora, mais que nunca, da forma incrível como a sua qualidade perdurou ao longo do tempo. Continua uma Obra-Prima.
E será, para sempre, uma Obra-Prima. Jamais haverá algo igual. Jamais será um filme esquecido... jamais será como "todos aqueles momentos, perdidos no tempo... como lágrimas na chuva" (dos melhores momentos cinematográficos que jamais vi até hoje).
Uma experiência simplesmente espectacular, e é inadmíssivel que exista apenas UMA cópia para todo o país.

quarta-feira, abril 23, 2008

Ficção-Científica no seu melhor



"Ghost in the Shell" é considerado um clássico da animação japonesa (a anime). Foi, de facto, um dos filmes que mais ajudou a espalhar o fenómeno pelo mundo, ajudando a criar uma legião de fãs a este particular estilo de arte. Mas "Ghost in the Shell", de Mamoru Oshii (que também realizou "Avalon" um daqueles filmes que podemos chamar de "falhanço honrado e interessante") é, não só um clássico do anime, como também um clássico da Ficção-Científica cinematográfica. De facto, as suas personagens bem construídas e as suas ideias (filosóficas, como os japoneses bem nos habituaram) aliados a um estilo visual espectacular (pareceu-me por vezes bastante inspirado no "Blade Runner"... e é óbvio que "The Matrix" retirou daqui muita inspiração) criam uma obra verdadeiramente única e espectacular. Até me atrevo a dizer que é uma Obra-Prima (é que o raio do filme é mesmo bom!). Todo o universo criado é fabuloso, mas é a sua alma (as personagens, as ideias contidas na história, toda a trama...) que fazem de "Ghost in the Shell" um verdadeiro clássico. Datado de 1995, foi lançado nos Estados Unidos em 1996 nos cinemas, numa tentativa de captar a atenção das pessoas para o anime. Nos cinemas foi um pequeno fracasso, mas em DVD ganhou uma legião de fãs.

Além do filme, existe ainda a série (o filme e a série decorrem no mesmo universo, mas têm histórias diferentes... ou seja, é perfeitamente possível apreciar o filme sem ver a série (tal como eu fiz), tal como é perfeitamente possível apreciar a série sem ver o filme (ou filmes, já que existe uma sequela...)), que dura já há alguns anos e que tem um sucesso internacional enorme (por cá passou não há muito tempo na Sic Radical).

"Ghost in the Shell" é um clássico do cinema de Ficção-Científica, e deve ser visto como tal. E cimentou ainda mais a minha admiração pela arte que é o anime.

É simplesmente Ficção-Científica no seu melhor.

sábado, abril 19, 2008

Instalem-se, sintam-se à vontade, mas tentem não deixar pipocas no chão.



E aqui vem um bocadito de publicidade que, desde que em boas doses e justificada, também não faz mal a ninguém.

Inaugurado recentemente, Fila-Jota é um novo site sobre cinema. E... enfim, deixo aqui o texto de apresentação do Renato Carreira, o criador:

"Fila-jota.com é um projecto que se assume como uma nova abordagem virtual ao mundo do cinema, assente na apreciação rigorosa, isenta e esclarecida dos filmes em cartaz e dos lançamentos em DVD, feita por quem gosta de cinema e destinada a quem gosta de cinema. Sem preconceitos, sem discriminação a priori de géneros, actores e realizadores e sem altivez intelectual. A todos os leitores, as nossas boas-vindas. Instalem-se, sintam-se à vontade, mas tentem não deixar pipocas no chão."

Visitem, instalem-se...

Eu próprio faço parte da equipa de colaboradores (olha! Ali estou eu!), e dou assim as boas-vindas a este site à comunidade cinéfila... e, já agora, agradeço o convite para me juntar à equipa.

Parte do que escrevo aqui (o que se puder aproveitar...) será, pois, também publicado no site... existindo obviamente um ou outro texto/trabalho que farei de propósito para Fila-Jota, e um ou outro texto/trabalho que farei de propósito para o Cinefolia.

"Instalem-se, sintam-se à vontade, mas tentem não deixar pipocas no chão."

domingo, abril 13, 2008

MANTENHAM-SE BEM AFASTADOS




Sou um jovem de 18 anos. Como qualquer jovem de 18 anos, dou-me com outros jovens rapazes e raparigas de 18 anos. E se há algo que descobri, é que hoje em dia jovens da minha idade não... não levam o cinema muito a sério. Não sabem quem foi Orson Welles, não sabem quem foi Truffaut... simplesmente vão ao cinema para passar um bom bocado. Ora bem... é por isso normal que, por vezes, quando ocorrem saídas de grupo, os meus jovens amigos escolham filmes que... enfim, que não são propriamente de boa qualidade. E eu até nem me importo... muito. Também posso ir ao cinema para me divertir um bocado, para desligar o cérebro. Afinal de contas, eu sou o tipo que até gostou do "Transformers" e do "Hitman" (...e subitamente, o blogue perdeu a pouca credibilidade que tinha...).

Mas meus amigos... desta vez foi indescritível. Previsível, sem a mínima graça, desprezível... o cérebro nem liga nem desliga, fica numa espécie de coma. Sejamos honestos, falar mal de um filme é bom. Dá prazer. Mas eu até me considero uma pessoa justa, e falo mal de um filme apenas quando considero o filme verdadeiramente... mau. E este é um dos casos.

"Fool's Gold" é uma "coisa". É... enfim, é mesmo uma "coisa". Além de ser possivelmente o pior filme que jamais vi numa sala de cinema (ainda que raramente veja maus filmes numa sala de cinema... tento ser selectivo, que o dinheiro e tempo escasseiam). Talvez seja eu que não tenha sentido de humor, não sei. Talvez tenha alguma coisa contra comédias românticas... ou contra o Matthew Mc-qualquer coisa, não sei. Mas houve mesmo alturas em que pensei em cometer suicídio com a palhinha do copo da pepsi.

"Fool's Gold" é dinheiro. Pega em todos os clichés existentes, e junta-os a todos num filme feito sem o mínimo amor. Até os próprios actores parecem lá estar mesmo só pelo dinheiro (oh Donald Sutherland... estavas assim tão desesperado? Enfim, pelo menos não és como o John Voight que entrou no "Bratz"...).

Não tem graça. Não capta minimamente a atenção. Não tem nenhum pormenor interessante que o salve. Nenhuma cena minimamente engraçada ou interessante. É um desastre. Um verdadeiro desastre. Péssimo. Além de péssimo. Se o Uwe Boll tivesse um irmão atrasado mental, e se esse irmão começasse a fazer comédias românticas... um dos seus filmes seria certamente este.

"Fool's Gold" não é um filme. É... não sei, é outra coisa qualquer.

E lição aprendida: em saídas de grupo, devo bater mais o pé na escolha do filme. Ainda que desta vez não podia fazer grande coisa... usaram o trunfo do "Gonçalo cala-te, que foi por tua causa que fomos todos ao cinema ver o "A Bússola Dourada"...". Mas ainda assim, esse filme foi bem melhorzinho...
E já agora... e vocês? Qual foi o pior filme que viram numa destas saídas em grupo?

(Nota: aposto que quando viram o título deste post pensaram que eu ia falar do novo do Coppola, não pensaram? Não, não... esse ainda não vi...).

sábado, abril 05, 2008

Acontecimento cinematográfico do ano? Provável.


Já todos devem saber, mas nunca é demais divulgar isto. A derradeira (ou pelo menos assim espero...) versão de "Blade Runner", já disponível em DVD, será lançada nos nossos cinemas no dia 24 de Abril.

Um verdadeiro acontecimento. Conseguem imaginar aquilo num cinema? Só de pensar dá arrepios... Pessoalmente, vi-o num muito antigo VHS, na sua versão "Director's Cut". E mesmo dessa forma, com aquela qualidade de imagem duvidosa, foi uma grande experiência.

E vai uma aposta em como só vão lançar o filme em duas salas de cinema em todo o país? (Ou talvez seja só o meu pessimismo a falar... veremos).

sábado, março 29, 2008

Filmes subvalorizados I


Existem vários filmes que eu pessoalmente adoro (ou apenas gosto bastante) mas que são de forma gerark considerados como maus filmes tanto pela crítica como pelo público. Achei que podia começa esta pequenita rubrica (e eu que nem sou muito de rubricas, mas enfim) em que falaria desses mesmos filmes.

E o filme que inaugura esta rubrica é... "Hulk", de Ang Lee.
Baseado na famosa série de comics, esta é, quanto a mim, das melhores adaptações de BD que o cinema já viu. Ang Lee foi ambicioso ao ponto de, além de usar a fabulosa técnica spiltscreen de forma frequente mas controlada (dando assim ao filme um ar mais... enfim, mais à la comic), elevar a história a um interessante drama sobre personagens multidimensionais e um herói que... enfim, que na realidade não é nenhum herói. Apenas fica grande e verde quande se zanga... e os problemas que isso lhe traz...
De facto, parece-me que a grande razão pela qual o público e a crítica não gostaram do filme deve-se a isso mesmo: este não é o comum filme-pipoca. De facto, "Hulk" não tem sequer assim tantas cenas de acção, nem humor idiota, nem personagens unidimensionais. Os efeitos visuais são fabulosos, sim, mas isso deve-se ao facto de serem mais realistas que propriamente espectaculares (ainda que aquela batalha final... espectacular), já que Hulk está fabulosamente bem criado. As expressões faciais (belos close-ups de Ang Lee), os movimentos... Hulk aqui aaba por ser encarado como uma personagem, e não apenas como um meio de usar CGI de alta tecnologia.
O elenco é fabuloso (mas sejamos honestos, um filme com Jennifer Connely é à partida logo um bom filme...), e Eric Bana foi um Bruce Banner excelente.

Mas o filme não fez assim tanto dinheiro, a critica e o público não gostaram muito... e por isso mesmo agora reiniciaram a saga com um novo filme que reúne uma nova equipa e dá um novo olhar à história (trailer? Aqui!). Yap. O Hulk voltou. E tem um penteado novo. Muito anos 80.
Quanto a mim, só me apetece gritar "Volta, Ang Lee! Volta!".
Mas enfim... eu adoro "Hulk". O resto do mundo é que não.

domingo, março 02, 2008

Perfeição



Provavelmente (quase de certeza...) será o melhor filme do ano. E possivelmente dos melhores filmes que jamais vi. Perfeito em todos os aspectos, transcendente em todos os aspectos. Por vezes pareceu-me que era como se Kubrick tivesse voltado à vida para fazer um último filme, uma última obra-prima... e este é o maior elogio que posso fazer a Paul Thomas Anderson. E Daniel Day-Lewis é... simplesmente incrível. Um estudo incrivel da natureza humana, da religião, da obcessão de um homem... de tudo, de tudo. Porque isto é um TUDO. Isto é CINEMA.


"I DRINK YOUR MILKSHAKE! I DRINK IT UP!"

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Oh raios...




É complicado fazer boas trilogias. É complicado manter um constante a bom nível de qualidade ao longo de três filmes. É por isso que trilogias como as de "Star Wars" (a original, claro...), a de "The Matrix" (sim, eu gostei muito!), ou a de "Lord of the Rings" têm um enorme valor. E, mais recentemente, a trilogia de "The Bourne Identity/Supremacy/Ultimatum" tornou-se em mais uma dessas trilogias. Todos os três capítulos são de uma enorme qualidade... particularmente o terceiro, "The Bourne Ultimatum", que foi como receber uma injecção de adredalina directamente no coração (além também de ser a melhor parte de uma magnífica história sobre uma ambígua e complexa personagem). E fazer um quarto filme seria um erro. A história está terminada, foi um óptimo final para a saga... porquê fazer mais? Será que precisamos mesmo de mais perseguições e câmaras que simplesmente não sabem ficar quietas? Não, não precisamos. Mas a Universal discorda.

E segundo este artigo, os executivos da Universal, Marc Shmuger e David Linde, contrataram Greengrass e Damon para mais um capítulo.

"More recently, Shmuger and Linde landed Paul Greengrass and Matt Damon for a fourth "Bourne" movie, even though the director and star seemed ready to wrap it up after three pics."

Desnecessário, no mínimo. A trilogia já estava tão boa assim... porquê fazer mais? O que é que lhe vão fazer? Dar-lhe uma pancada na cabeça para ele perder novamente a memória? Se até o raio do homem diz no filme que já se lembra de tudo... enfim, questões comerciais acima das artísticas. Mas isto é tão, mas tão desnecessário... até acabaram o último filme com um excelente remix do "Extreme Ways" do Moby...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Persépolis em sessão especial no El Corte Inglês


Para os que, como eu, já anseiam por este filme há muito tempo (e são tantos os bons filmes agora em cartaz, tantos...).


"PERSÉPOLIS EM SESSÃO ESPECIAL
NOS CINEMAS UCI – EL CORTE INGLÈS

Para assinalar a estreia de PERSÉPOLIS já no próximo dia 21 de Fevereiro, a Midas Filmes vai organizar uma sessão especial à meia-noite de sábado, 16 de Fevereiro, nos Cinemas UCI – El Corte Inglês para os primeiros espectadores a querer ver em primeira mão a tão aguardada animação nomeada para um Óscar nessa mesma categoria. Na compra de um bilhete receberão um outro gratuito para a mesma sessão.

Recorde-se que o filme, realizado por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, e baseado na obra autobiográfica de Satrapi, mergulha em 15 anos da história do Irão, da deposição do regime do Xá, em 1978 e tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos, passando pela guerra Irão-Iraque, e até 1993, momento em que a jovem heroína do filme, decide que, para ser livre e emancipada, tem que deixar o seu país natal.

A história de PERSÉPOLIS é-nos contada atrás dos olhos de Marjane, uma criança de 9 anos, que vive em Teerão no seio de uma família culta, não se separa dos seus ténis Adidas, tem Bruce Lee como seu herói pessoal e passa boa parte do seu tempo em longas conversas com Deus e Marx.

Com um delicado equilíbrio entre a tragédia histórica e a comédia familiar, e o drama e a sátira social, PERSÉPOLIS é exímio não apenas na sua abordagem delicada aos conturbados acontecimentos que assolaram o Irão neste período, mas também no olhar destemido que lança sobre temas como a liberdade e repressão, o preconceito e o fundamentalismo religioso, e a ignorância e a intolerância.


Saiba mais sobre o filme em www.midas-filmes.pt"

E mais uma vez (e eu que o diga, que tenho aqui a colecção Tarkovsky...), obrigado à distribuidora Midas!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Exemplar a todos os níveis



"Atonement", de Joe Wright, é um filme em que todos os aspectos trabalham em sintonia de forma a criar uma maravilhosa experiência cinematográfica. As interpretações são todas elas magníficas (está bem, Keira Knightley... desta convenceste-me...), a fotografia é belíssima, a banda-sonora é original (belo uso da máquina de escrever, que acaba por no final ter uma forte ligação à história) e excelente... e há a realização de Joe Wright. E aqui Joe Wright revela uma sensibilidade, uma atenção aos pormenores, uma imaginação narrativa e visual notável (aquele plano contínuo, por exemplo). De facto, em "Atonement" existem momentos em que estamos perante verdadeira poesia em movimento. Momentos emocionalmente poderosíssimos (aquele twist...), visualmente maravilhosos... momentos que são simplesmente tudo aquilo que adoramos no cinema.

Tudo isto para dizer que "Atonement" é um magnífico filme (poderá vir a ser um dos melhores do ano), merecedor dos prémios e das nomeações aos Óscares que tem vindo a receber.

Falta-me agora ler o livro. Já me disseram que esta é uma adaptação péssima... e sim, acredito que talvez seja. Como adaptação pode ser péssimo, mas como filme é brilhante.
E Vanessa Redgrave está arrebatadora... mesmo com tão pouco tempo no ecrã, a sua prestação é simplesmente espectacular.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Grandes Videoclips

Porque existem por aí videoclips que são autênticos grandes pequenos filmes, e porque existem por aì grandes realizadores a fazerem pequenos grandes videoclips... e porque era isso que o Michael Bay devia estar a fazer em vez de estar no cinema... e porque nada mais me agradaria do que falar de música de vez em quando neste meu espaço.

Inicio esta pequena rubrica com um videoclip cujo valor cinematográfico é inegável: o videoclip de "Bones", dos The Killers. E o seu valor cinematográfico é inegável porque quem o realizou foi nada mais nada menos que o grande... Tim Burton. E nota-se o seu estilo, quer seja nos ossos do guitarrista ou nos esqueletos em câmara lenta. Um excelente videoclip para uma excelente música, e aproveito para aqui proclamar a minha adoração pelo muitas vezes odiado álbum do qual esta música foi retirada: "Sam's Town", o segundo álbum dos The Killers, uma banda da qual sou um enorme admirador, e cujo segundo álbum demonstra um enorme salto de maturidade e criatividade em relação ao seu primeiro trabalho, o também excelente "Hot Fuss".

"Bones". Música dos The Killers, videoclip realizado por Tim Burton.



The Killers - Bones
Colocado por toma-uno

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Ciclo de Cinema Nova Escola de Berlim



"A Nova Escola de Berlim é um movimento cinematográfico contemporâneo de invulgar importância. Espécie de anti-Dogma, por não ter quaisquer regras definidas, e também chamada de Nouvelle Vague alemã, foi designada como tal em 2001 por dois críticos que tentavam compreender o impacto conjunto dos realizadores Angela Schanelec, Thomas Arslan e Christian Petzold, devido ao facto destes terem estudado (com Harmut Bitomsky e Harun Farocki) na dffb, uma academia independente de cinema em Berlim. Esta renovação artística do cinema alemão começou efectivamente a fazer-se sentir quando, ao gesto cinematográfico original e contínuo dos primeiros, autores com cinco ou mais longas-metragens, outros cineastas mais novos, num cúmplice movimento de aproximação, a eles se associaram e os filmes de ambos começaram a chegar aos grandes festivais internacionais. De entre estes, saliência neste programa para Valeska Grisebach, com o seu líndissimo «filme de amor», SEHNSUCHT, filmado depois de extensa investigação, com actores amadores/não-actores que acrescentam rostos novos, mais comuns e de maior generosidade, ao cinema. Outro jovem e talentoso realizador é Ulrich Köhler, com o seu sarcasmo implacável mas contido em BUNGALOW."


Programação:

5ª, dia 31.1, 21h30 – São Jorge 3
Sehnsucht / Anseio 2006, 85’
Valeska Grisebach

6ª, dia 1.2, 21h30 – São Jorge 3
Bungalow 2002, 84’
Ulrich Köhler

Sáb, dia 2.2, 19h – São Jorge 3
Marseille / Marselha 2004, 95’
Angela Schanelec

Sáb, dia 2.2, 21h30 – São Jorge 3
Ferien / Férias 2007, 91’
Thomas Arslan

Dom, dia 3.2, 21h30 – São Jorge 3
Nachmittag / Tarde 2006, 97’
Angela Schanelec

2ª, dia 4.2, 21h30 – São Jorge 3
Klassenfahrt / Excursão escolar 2002, 86’
Henner Winckler

3ª, dia 5.2, 21h30 – São Jorge 3
Schläfer / Adormecido 2005, 100’
Benjamin Heisenberg

4ª, dia 6.2, 19h – São Jorge 3
Wolfsburg / Wolfsburgo 2002, 93’
Christian Petzold
com a presença do realizador


Programação de André Dias, autor do blogue Ainda Não Começámos a Pensar.

Porque vale sempre, sempre a pena divulgar estes belos ciclos de cinema...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Tão jovem...


Chocante e triste...

Tinha 28 anos e uma carreira que estava agora a atingir o auge. Poderá ter sido uma overdose de comprimidos para dormir acidental, já que Ledger sofria de insónias já há algum tempo.

O seu trabalho como Joker era um dos papéis que mais ansiava (e anseio) ver, e "Brokeback Mountain" revelou um potencial enorme. Esperava que Ledger crescesse mais, se tornasse num actor verdadeiramente portentoso. O seu potencial, o seu talento em bruto era enorme. Mas nunca veremos o amadurecimento deste actor, deste jovem, cuja carreira estava agora a atingir o auge. A sua escolha de papéis a interpretar revelava uma coragem digna de um grande actor, e tinha um futuro promissor à sua frente. Mas nunca veremos isso.

Morreu quando ainda tinha tanto para dar... não só a nós, cinéfilos, mas também à família e amigos. Era jovem. Tão jovem...

Que descanse em paz.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

David e o iPhone

Será lançado em breve (ou se calhar até já foi lançado e eu é que não me mantenho informado...) o iPhone, o telemóvel da Apple. Esse belo dispositivo permitirá, entre outras coisas, ver filmes no telemóvel. Algo inovador, sem dúvida. Mas... que pensará o nosso David Lynch acerca disto? Ora vejamos...



Tenho a certeza que a Apple também te adora, David! Raios, este homem é mesmo um espectáculo...

Eu, pessoalmente, tenho de concordar. É claro que se estivermos num longo voo de três horas e desejarmos ver o Magnolia pela enésima vez... está bem, aceita-se. Apenas porque é a enésima vez. Mas um filme (qualquer filme, seja ele um drama ou uma comédia romântica) deve ser visto pela primeira vez em condições minimamente aceitáveis... condições essas que um simples ecrã de telemóvel não consegue providenciar.

E vocês, o que acham?

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aquela idade

Imagem de "O Castelo Andante", um filme que é todo ele sobre a perda dos medos infantis e a chegada à maturidade



Faço hoje 18 anos. Discutivelmente, podemos afirmar que essa é a primeira grande idade na vida de alguém. Legalmente, pelo menos. Já posso ser preso, casar-me, e tirar a cartade condução. Vá-se lá saber porquê, não planeio fazer nada disso em breve, por isso mantém-se tudo igual. Mas sinto-me ligeiramente mais velho, e agora posso entrar naqueles tais filmes para maiores de 18 que raramente aparecem nas nossas salas. Ah, e estou mais perto dos 20.

E recebi aqui a bela colecção Tarkovsky da Midas, e irei agora finalmente conhecer aquele que é um dos mais únicos cineastasda Sétima Arte. Só por isso, o dia de hoje já é importante.
E voilá... sou maior de idade. E cinematograficamente mais culto, em breve.


segunda-feira, janeiro 07, 2008

A Juventude




"Rebel Without A Cause", realizado por Nicholas Ray e protagonizado pelo lendário James Dean, é, indo directo ao assunto, o mais impressionante, realista, profundo, e belo retrato de juventude que jamais vi. De facto, esta é uma Obra-Prima absoluta, um triunfo em todos os aspectos... mas o que mais surpreende é sem duvida o facto de ser tão intemporal. Já passaram mais de cinquenta anos, mas o filme continua profundamente actual. E muito provavelmente continuará a sê-lo daqui a mais cinquenta e tal anos.

É, em praticamente duas horas, a essência de um jovem e o seu mundo. Não a essência de apenas uma geração, mas a da juventude em si. Senti uma fortíssima ligação com aquele trio de personagens (particularmente com Jim, interpretado por um espantoso James Dean) e com o seu mundo, todo ele tão realista e complexo, tal como... enfim, tal como o mundo é realmente. Não existem estereótipos, não existem assuntos simplificados... é apenas toda a essência de uma juventude tal como ela é. As relações com os pais (todos eles encarados de forma igualmente realista e complexa) e com os restantes membros de uma certa geração... todo o filme é de uma profundidade arrebatadora.

E há James Dean que se destaca por entre todas aquelas belas interpretações. James Dean, com a sua intensidade num papel que ficará para sempre gravado na minha memória. James Dean, provando aqui a razão do seu estatuto. James Dean, sempre fascinante e inigualável, com uma presença e uma intensidade digna de uma lenda. A sua presença acaba, pois, por ser um dos muitos trunfos de um filme que é todo ele absolutamente intemporal e perfeito.

Obra-Prima absoluta.