sexta-feira, julho 27, 2007

Finalmente!






Após sabe-se lá quanto tempo à espera, "Blade Runner", a obra-prima de Ridley Scott, terá finalmente um lançamento em DVD digno. Serão lançadas uma edição de dois discos, uma de quatro discos, e uma de cinco discos (sendo esta última lançada naquela maravilhosa mala que está nas imagens de cima), além do lançamento de versões HD-DVD e BluRay.

A versão de dois discos terá a versão final do filme (aquela em que Scott tem andando a trabalhar durante anos), além de um complexo documentário (apelidado de "Dangerous Days: Making Blade Runner").

A versão de quaro discos terá tudo aquilo que a de dois dicos possui, e ainda mais três versões do filme ( a versão teatral, o Director's Cut, e a versão internacional), e ainda um disco repleto de featurettes e outros extras.

A edição de quinto discos terá, além daquela maravilhosa mala, a mítica WORKPRINT VERSION, uma lendária versão de "Blade Runner", considerada a mais diferente de todas as outras.

Tudo isto terá lançamento nos Estados Unidos a 18 de Dezembro, mas tendo em conta que este será muito provavelmente um lançamento mundial (tal como foi com o pack "Superman", e outros do género), é bem provável que seja lançado por cá nessa mesma data.

Além de tudo isto, a nova versão de "Blade Runner" (Final Cut) terá lançamento em algumas salas de cinema nos Estados Unidos, e será tambem mostrada no Festival de Veneza.

Mas que belas notícias. Após tanto tempo de espera, iremos ver finalmente uma edição DVD digna da qualidade, da importância, da magnitude desta obra-prima.

Mais informações (incluindo detalhes exactos acerca dos vários extras das várias edições) podem ser encontradas aqui: http://www.thedigitalbits.com/articles/br2007/announce.html

Eu bem queria colocar aquele link inserido na palavra "aqui"... mas as minhas capacidades de uso do Blogger ainda são algo limitadas.

quarta-feira, julho 25, 2007

Harry Potter e a Ordem da Fénix, de David Yates


Atribulada adolescência

"Harry Potter e a Ordem da Fénix" é a quinta adaptação dos famosos (e brilhantes, como eu já tantas vezes afirmei neste blog) livros de J.K. Rowling. Este é o quinto de sete filmes baseados em sete livros. E como é que são os filmes, comparados com os livros? Bem... os filmes são como os livros... com bastantes coisas cortadas, e com tudo a decorrer em fast-forward. Ou seja, nenhum dos filmes até agora conseguiu chegar sequer aos calcanhares do respectivo livro. No entanto, na minha opinião, estes filmes devem ser julgados tal e qual como aquilo que são: filmes. Ou seja, devemos julgá-los e analisá-los como obras cinematográficas, em vez de simples adaptações de obras literárias previamente criadas.
Assim sendo, posso afirmar que creio que todos os filmes conseguiram até agora manter um extremamente aceitável nível de qualidade. E o mesmo acontece com este "Harry Potter e a Ordem da Fénix", o mais negro e mais adulto dos cinco filmes até agora criados.

Agora com quinze anos, Harry Potter (Daniel Radcliffe) atravessa aquela atribulada fase da puberdade, tendo ao mesmo tempo de se preocupar com o facto de o Ministério da Magia não reconhecer que Lord Voldemort regressou. Na tentativa de impedir que Harry e Dumbledore (um hiperactivo e irritante Michael Gambon) convençam o resto da população de feiticeiros que Voldemort (um sempre agradável Ralph Fiennes) regressou de facto, é enviada para Hogwarts, com o objectivo de espiar/manter sob controlo o que se passa na escola, Dolores Umbridge (fantástica Imelda Staunton), que ocupa na escola o cargo de professora.

Daniel Radcliffe está igual a si mesmo (ou seja, suficiente apenas para transmitir à personagem a profundidade necessária para que o espectador se preocupe minimamente com aquilo que lhe acontece), e o mesmo se pode dizer acerca de Emma Watson (que faz de Hermione Granger) e Rupert Grint (que faz de Ron Weasley). De facto, neste filme nem Emma nem Rupert têm grande coisa que fazer, já que toda a história ocorre à volta de Harry e dos seus problemas hormonais (problemas esse que Rowling trata de uma forma exagerada no livro respectivo, criando assim o pior capítulo da saga). Tanto Ron como Hermione são apenas os amigos de Harry Potter... e nada mais.



Felizmente, temos Imelda Stunton num papel simplesmente fabuloso, que cria uma Dolores Umbridge fascinante e desagradável ao mesmo tempo, dando ao filme uma tão necessária magia que de outra forma este poderia não ter. Gary Oldman faz um belo papel como Sirius Black, o padrinho de Harry, e o maior mérito do filme é o facto de este conseguir mostrar a profundidade da relação entre ambos. Sirius revive em Harry a amizade que tinha pelo seu pai, James Potter, e Harry vê em Sirius a possibilidade de ter aquela família que nunca teve. A relação entre Sirius e Harry nunca tinha sido tão explorada como neste filme, e David Yates sabe exactamente como a desenvolver, comovendo o espectador com a relação entre este padrinho e o seu afilhado. É claro que é óbvio que este desenvolvimento ocorre apenas na tantativa de dar mais ênfase e poder a uma certa coisa que acontece numa certa parte do filme... mas ainda assim, é uma bela exploração destas duas personagens.

O filme tem todo ele um ambiente mais negro e mais adulto que os filmes anteriores, mas ainda assim não é uma obra tão conseguida como "Harry Potter e o Cálice de Fogo". David Yates não consegue dar a profundidade emocional necessária a um filme que é, à partida, todo ele sobre a adolescência e os seus múltiplos problemas. Ainda assim, a forma como Yates aproxima a história é minimamente interessante, e o filme consegue, tal como disse, manter um muito aceitável nível de qualidade. E, tendo em conta que do pior dos sete livros saíu um dos melhores filmes, não posso evitar ficar curioso em relação à forma como este realizador irá fazer a adaptação de "Harry Potter and the Half-Blood Prince", esse sim um livro verdadeiramente magnífico.

Mas por agora ficamos com este "Harry Potter e a Ordem da Fénix" que, apesar de não ser um grande filme (tal como nenhum deles o foi até agora), proporciona ainda assim uma bela ida ao cinema, divertindo e emocionando o espectador durante as suas duas horas e quinze minutos de duração (sendo, pois, este o mais curto dos cinco filmes... curiosamente baseado no maior livro da saga).



7/10

segunda-feira, julho 23, 2007

O fim de uma saga






"'Harry Potter,' he said, very softly. His voice might have been part of the spitting fire. 'The boy who lived'"

Há medida que era o primeiro da grande fila Na Bertrand do Centro Comercial Colombo (e só tive de esperar uma hora e vinte minutos para ser o primeiro!), ansioso pela meia-noite, sentia-me algo triste por saber que nunca mais poderia fazer isto. Não falo de ir às onze e tal para o Colombo para comprar um livro (foi a primeira vez que o fiz), mas antes de ansiar por saber como iria continuar a brilhante história criada por J.K. Rowling. Este "Harry Potter and the Deathly Hallows" seria o final de uma das mais populares (e, se me permitem, das melhores) sagas literárias do nosso tempo. O fim de uma história que eu adoro, o fim de uma viagem de dez anos (no meu caso não dez, mas aproximadamente uns seis ou sete) que começou com a primeira aventura deste joven feiticeiro, "Harry Potter and the Philosopher's Stone".
Restava-me esperar que este último capítulo fosse um final satisfatório para a saga.

E, de facto, "Harry Potter and the Deathly Hallows" é um final extremamente satisfatório. Na realidade, este pode até mesmo ser o melhor capítulo de toda a saga. É, sem dúvida, o mais adulto, o mais negro, o mais emocional. Todas as perguntas são respondidas, todas as personagens têm o seu destino traçado (sendo esse destino, em muitos casos, a morte... um tema abordado de uma forma brilhante e profunda por Rowling neste último capítulo). É uma conclusão maravilhosa para uma saga maravilhosa sobre crescimento, amadurecimento, e todas aquelas facetas misteriosas da natureza humana.

E agora que já desabafei, este blog voltará a entrar novamente em modo cinéfilo.

sexta-feira, julho 20, 2007

A razão pela qual me irei isolar do mundo nos próximos dois ou três dias...



Sendo eu um enorme fã desta saga, só largarei o livro depois de o ter lido. E assim chegará ao fim uma das mais belas sagas literárias que já tive (e que, muito provavelmente, jamais terei) o prazer de ler.
Lá estarei hoje à meia-noite para levantar a minha cópia.

E o mais recente filme nem é mau, mas isso fica para outra altura...

quinta-feira, julho 19, 2007

É impressão minha...

...ou eu sou a única pessoa no mundo (ou pelo menos do mundo cinéfilo) que não se rala minimamente com isto?



Vamos meditar no assunto. O trailer deste "Cloverfield" (ou "1-18-08", ou sei lá como é que se chama) está giro, sem dúvida nenhuma que está giro. Mas o trailer não diz absolutamente nada acerca do filme em si, e as únicas coisas que mostra são uma explosão engraçada e a cabeça da Estátua da Liberdade. Mas o impacto que este trailer teve na comunidade cinéfila deriva todo ele do facto de ter aparecido do nada, tendo sido lançado com o "Transformers" sem qualquer aviso prévio. Se tivessem feito o mesmo com o "Armageddon" (mostrando neste caso a população em pânico enquanto caía um ou outro meteorito) ou com o "The Day after Tomorrow" (mostrando neste caso... sei lá, ou tornados, ou tempestades de neve, ou algo do género), o impacto teria sido exactamente o mesmo. Mas, mesmo com este impacto, o "Armageddon" ou o "The Day After Tomorrow" não deixariam de ter sido aquilo que são: filmes mauzinhos.

Por isso eu pessoalmente vou esperar calmamente por um trailer que revele alguma coisa acerca da história do filme propriamente dita, ou por um pequeno resumo da premissa do filme.

Pessoalmente, não me ralo muito. Tendo em conta que é do J.J. Abraams, e depois daquela coisa irritante que foi o "Missão: Impossível 3"...

segunda-feira, julho 16, 2007

"Antes do Amanhecer"/"Antes do Anoitecer", de Richard Linklater





Essência da Juventude/Essência do Amadurecimento e, acima de tudo, Essência do Amor

"Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer", de Richard Linklater, são dois maravilhosos filmes (ou antes, um único filme, uma única história dividida em duas partes) sobre a profundidade que pode ser encontrada nos momentos mais simples. Um jovem americano (Jesse, interpretado por Ethank Hawke) e uma jovem francesa (Celine, interpretada por Julie Delpy) conhecem-se num comboio, e decidem passar o dia em Veneza, onde conversam sobre... enfim, sobre tudo aquilo que compõe a existência humana. Apaixonam-se, e quando se têm de separar, prometem voltar a encontrar-se seis meses depois naquela mesma estação. Esta é a história de "Antes do Amanhecer", um filme que retrata de forma perfeita o que é ser jovem, com todos os seus ideais e a sua ingenuidade e, acima de tudo, toda aquela paixão tão característica da juventude.
Mas o casal não se encontrou seis meses depois. Tal reencontro ocorre, no entanto, nove anos depois, quando o jovem americano (que agora já não é assim tão jovem) vai a Paris promover o seu novo livro... baseado na noite que passou com aquela francesa por quem se apaixonou. Reencontram-se, e passam o dia em Paris a pôr a conversa em dia, expondo um ao outro aquela perda de romancismo que tão inevitavelmente ocorre com o crescimento... e expondo, acima de tudo, o que sentem ainda um pelo outro.

"Antes de Amanhecer" e "Antes do Anoitecer" recriam de forma perfeita o ganho e a perda do amor e do romance. Enquanto que "Antes do Amanhecer" é um retrato perfeito do que é ser jovem (idealista, romântico, apaixonado...), "Antes do Anoitecer" é um filme mais maturo, um retrato perfeito do que é perder esses ideais, esses sentimentos que possuíamos quando éramos jovens. E os dois filmes são ainda uma maravilhosa história de amor. Por várias vezes, Jesse lamenta o facto de não se terem encontrado naquela estação deis meses depois. "A nossa vida poderia ter sido tão diferente", lamenta ele. Mesmo após nove anos, o amor que une os dois não desapareceu. Julie, por outro lado, está frustrada. Frustrada pelo sentimento de desilusão proveniente do facto de não se terem encontrado seis meses depois. Porque ambos sabem que o seu amor teria continuado... tal como sentem tentados a continuá-lo agora, nove anos depois.

O final de "Antes do Anoitecer" é algo abrupto, e sem dúvida aberto à interpretação. O final perfeito para esta história de amor, já que cabe ao espectador terminar ele próprio uma história que, no final, é tanto dele como do espectador... pois é impossível não nos sentirmos de certa forma retratados naquelas duas personagens, na sua paixão, nos seus idealismos, no seu crescimento. "Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer" acaba pois por não ser só uma simples história de amor, mas também uma maravilhosa fábula sobre existência humana.



10/10

quinta-feira, junho 28, 2007

Trailer de "Eastern Promises", o novo filme do grande David Cronenberg



Após o excelente "A History of Violence", e tendo em conta a interessante e fascinante direcção que a carreira de Cronenberg tem andado a tomar nos últimos anos (uma carreira essa que nunca, nunca deixou de ser interessante ou fascinante... mas nos últimos anos este realizador tem revelado uma faceta diferente daquilo a que estamos habituados), as minhas expectativas face a este "Eastern Promises" não podem deixar de ser altas. Estou confiante que será mais um belo filme deste fascinante realizador.

Sai em Setembro nos Estados Unidos.

segunda-feira, junho 25, 2007

E um dos próximos projectos de Aronofsky será...




Ainda sem confirmar exactamente qual será o seu próximo filme (diz-se por aí que ou será "Black Swan", um thriller psicológico que se tem lugar no mundo do... ballet; ou então, "The Fighter", um drama passado no mundo do boxe, e que tem no elenco Matt Damon e Mark Wahlberg, um filme para o qual Aronofsky já foi confirmado como realizador... só não se sabe é quando é que o raio do filme será feito), Darren Aronofsky disse recentemente que um dos seus próximos filmes será sobre... a Arca de Noé. Aparentemente baseado num poema que Aronofsky escreveu quando estava na sétimo ano, este será um filme que revelará o lado mais fantástico, mais sci-fi desta famosa história. Convém relembrar que uma comédia baseada nesta mesma fábula religiosa irá sair em breve: "Evan Almighty", com Steve Carell, que interpreta a mesma personagem que interpretou em "Bruce Almighty".

O argumento de Aronofsky está praticamente pronto, mas o seu próximo filme não será esta fábula sobre uma arca que era como um zoo ambulante. Antes disso, o realizador afirma preferir fazer algo mais pessoal. Tendo em conta que o último filme mais pessoal que este realizador fez acabou por ser uma verdadeira obra-prima (falo, obviamente, de "The Fountain"... a segunda obra-prima deste realizador, que já nos tinha trazido o incrível "Requiem for a Dream"), estou extremamente ansioso para ver qual será o próximo filme deste visionário.

sexta-feira, junho 22, 2007

Requiem for a Dream, de Darren Aronofsky

"Até a esperança se pode tornar num vício" - Darren Aronofsky

"Requiem for a Dream" é um filme que pode ser resumido numa simples palavra: poderoso. Sei que soa a cliché, mas de todos os filmes que vi até hoje, este é sem dúvida um dos mais poderosos. Isto deve-se, basicamente, à linguagem cinematográfica de Aronofsky, que explora de uma forma extremamente expressionista os lados mais obscuros da natureza humana. Neste caso, a tendência que o ser humano tem de fugir à realidade em vez de a enfrentar. "Requiem for a Dream" é, de facto, uma história sobre vícios. Quatro histórias interligadas, sobre quatro pessoas que vêm os seus sonhos (e as suas vidas) desfeitas pelo seu vício na droga. E na esperança.
Aronofsky filma, sem melodramatismos, a vida destas quatro pessoas. A sua decadência como seres humanos. Os seus sonhos desfeitos. Realmente, este é um dos mais desgastantes, emocionalmente poderosos filmes que vi até hoje. Todo o filme vai sendo lentamente conduzido para o absolutamente incrível clímax final, que deixa o espectador literalmente paralisado.

O filme foi filmado usando a "hip-hop montage", no qual uma acção complexa é rapidamente mostrada ao espectador usando como recurso séries rápidas de gestos simples. Neste caso, não apenas gestos mas também outros tipos de imagens e sons. Com isto, Aronofsky consegue transmitir ao espectador o vício, a repetição destas personagens. Curiosamente, este uso poderoso do factor "repetição" é algo que Aronofsky usa também no seu mais recente filme, a obra-prima "The Fountain"... mas esse filme fica para outra altura (assim que arranjar coragem, ou até mesmo perícia suficiente para lhe fazer uma crítica). A própria montagem hip-hop já tinha sido (brevemente) usada por este visionário no seu filme de estreia, o belo "Pi". Tal como a chamada "Snorri Cam", um método no qual a câmara é literalmente presa ao corpo do actor ou da actriz, filmando a sua cara ou outra parte do corpo (normalmente a cara, creio eu), à medida que esta se movimenta. Uma das mais poderosas cenas de "Requiem for a Dream" é quando uma desgastada, deprimida Jennifer Connely faz uma trágica e lenta viagem de elevador, após se ter usado a si mesma fisicamente de forma a arranjar algum dinheiro para saciar o seu vício. Esta viagem é feita com a câmara presa ao seu corpo e apontada à sua cara, ao mesmo tempo que a incrível banda-sonora do talentoso Clint Mansell acompanha a cena.

Clint Mansell criou verdadeiramente uma banda-sonora de culto com este "Requiem for a Dream". O tema principal do filme, "Lux Aetherna" (uma muito livre adaptação de uma obra de Mozart com o mesmo nome que é parte, se não me engano, da mítica "Requiem"), tem hoje múltiplas versões, e é constantemente usado em trailers, reportagens de TV, etc etc. Mas é neste filme que se vê verdadeiramente o poder desta música, e Clint Mansell e Darren Aronofsky fazem sem dúvida uma das melhores duplas compositor-realizador do cinema contemporâneo.

Esta obra é um filme em que tudo funciona de uma forma perfeita. A prestação dos actores é fenomenal (INCRÍVEL Ellen Burstyn, que entra numa das mais bem actuadas cenas que eu vi até hoje... nomeadamente, a cena na qual ela revela a, neste caso, tristeza de ser idosa...). Aronofsky criou uma experiência verdadeiramente incrível, que nos faz acordar para certos lados, certos perigos da natureza humana.

"Requiem for a Dream" transformou Aronofsky num realizador de culto, e é de facto uma verdadeira obra-prima que deve ser visionada por todos, sejam eles cinéfilos ou não.

Uma verdadeira lição sobre natureza humana, sobre vícios e fugas da realidade.

"Requiem for a Dream" é, tal como já disse, um dos mais poderosos filmes que vi até hoje.



10/10

sábado, junho 16, 2007

"Happiness isn't a right. It's an achievement" (Orson Welles)



Nunca poderei exprimir por palavras o quanto eu admiro, o quanto eu respeito este homem. Orson Welles é sem dúvida um dos mais importantes/dotados cineastas que jamais existiram... não só pelas suas obras, mas também pelo homem que era.

Uma verdadeira inspiração para qualquer cinéfilo.

quinta-feira, junho 14, 2007

Ainda sobre o DVD de "The Fountain"...

Segundo o BluePlanet, a data de lançamento de "The Fountain" no nosso país em DVD será no dia 27 de Junho. Pessoalmente, estou surpreendido... normalmente, costumam demorar vários meses até um DVD sair em território nacional. Neste caso, foram apenas três.
É uma bela notícia.

Ainda assim, aquela edição francesa de dois discos... resta-me ver que extras é que essa edição terá exactamente (será que simplesmente colocaram o filme no primeiro disco e os extras no segundo, sendo estes os mesmos da edição normal que iremos receber no nosso país?), e se as legendas em francês não são obrigatórias (a mania que os franceses têm de fazer isso... já com a minha edição francesa do "Pi" que comprei na Fnac foi o mesmo...). A nossa edição e a francesa saem com a diferença de apenas alguns dias (a francesa sai mais tarde, no dia 5 de Julho).

Mas digam o que disserem, a edição francesa sempre tem esta agradável capa:



A Premiere já fez a sua (pequena, muito pequena) crítica à edição nacional, dando-lhe três estrelas (tanto ao filme como ao DVD). Os extras são, tal como esperado, iguais a todas as outras edições europeias (tirando talvez a francesa). Ou seja, temos direito a mais um faturette que a edição americana. Enquanto que a edição de região 1 tem apenas um documentário dividido em seis partes("The Fountain: Death and Rebirth"), a nossa edição terá esse documentário e ainda um featurette, apelidado de "Life On Ship".

Enfim... resta agora ver se a edição francesa tem, de facto, mais extras que a edição normal.


Aproveito também para dizer que Darren Aronofsky afirmou recentemente no seu blog (as maravilhas do MySpace) que, indepedentemente do facto de o estúdio não o ter deixado fazer um comentário para o DVD, ele próprio gravou um comentário áudio para o filme, comentário esse que será em breve colocado no site ComingSoon.net.

Grande, grande Aronofsky...

domingo, junho 10, 2007

DVD de "The Fountain"

Digam o que disserem, há vantagens em viver na Europa. Nomeadamente, esta:

http://www4.fnac.com/Shelf/article.aspx?PRID=1978940&Mn=3&Mu=-13&SID=&TTL=&Origin=FnacAff&Ra=-3&To=0&Nu=1&UID=&Fr=0

Além da edição normal PAL de "The Fountain" ter mais extras que a versão americana, os franceses irão ter uma edição especial desta obra-prima (convém lembrar que França foi o país no qual "The Fountain" teve mais sucesso em termos económicos).
Duvido que esta edição especial de dois discos seja lançada por cá em edição nacional... mas temos várias Fnacs por todo o país, além desta maravilhosa invenção que é a Internet.

Devo ainda dizer que a capa da edição DVD de região 1 é esta:




Enquanto que a de região 2 é esta:




Ambas as capas são horríveis... mas a da edição francesa já é bastante agradável. Mas se tivessem feito a capa a partir do poster original...

sábado, junho 02, 2007

The Air I Breathe



Um dos filmes que eu mais aguardo este ano. Um elenco magnífico, numa obra baseada num provérbio Chinês segundo o qual a vida pode ser dividida em quatro pilares emocionais: felicidade, prazer, sofrimento e amor.
Forest Withaker é a Felicidade, Sarah Michelle Gellar é o Sofrimento (estou confiante que ela fará um papel óptimo), Brendan Fraser é o Prazer, e Kevin Bacon é o Amor. E temos ainda no elenco Andy Garcia.

Após ter sido apresentado no Tribeca Film Festival (e em Cannes, recentemente), o filme recebeu tantos insultos como elogios da crítica. Algo que, muito sinceramente, aumenta ainda mais as minhas expectativas (um filme que divide as audiências é sempre um filme especial...).

Ainda não tem data de estreia (só recentemente é que foi assinado o contracto com uma distribuidora), e resta-me apenas esperar que não leve muito até chegar às nossas salas de cinema.

sábado, maio 26, 2007

Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo

"You're mad!"
"Thank goodness for that because if I wasn't, this'd probably never work."



Chegou finalmente o muito aguardado final da (espero eu...) trilogia que tornou Johny Depp num dos mais famosos actores da sua geração, e ressuscitou um género que há muito estava morto. Os primeiros dois filmes foram de um enorme (e inesperado) sucesso, criando personagens carismáticas e uma trama complexa que chega agora ao fim com este "Nos Confins do Mundo", onde temos novamente Bill Nighy como um capitão metade lula, metade... outras espécies marinhas; Orlando Bloom como um rapazola qualquer que quer salvar a namoradinha; Keira Knightley como a namoradinha que quer ser pirata; Geoffrey Rush como um (excelente) pirata que passou de inimigo a aliado; Chow-Yun Fat como um (também excelente) pirata de Singapura; e Johny Depp como o incomparável Jack Sparrow. E no que é que resultam todas estas personagens, todas elas com os seus diferentes objectivos e história própria?

Tudo isto resulta no blockbuster perfeito. "Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é um magnífico blockbuster, que consegue de forma magistral desenvolver de forma perfeita todas estas personagens, dando-lhes uma conclusão mais que satisfatória, criando assim uma trama complexa que consegue ao mesmo tempo manter aquele tão característico humor dos dois primeiros filmes. Este será, muito provavelmente, o melhor blockbuster que veremos este ano.

Em praticamente três horas, temos uma história repleta de traições, revelações, humor e épicas cenas de acção. O argumento do filme é verdadeiramente excelente, já que consegue tratar todas as personagens com a devida importância, não havendo nenhuma cena desperdiçada ao longo de todo o filme. Os argumentistas sabiam em que direcção levar a história, sabiam a forma adequada de encaixar todas as pequenas peças do puzzle, e fizeram-no de forma exemplar. Isto resulta maravilhosamente com o estilo de Gore Verbinski (realizador dos três filmes), que além de saber exactamente onde colocar e como criar as cenas de acção, sabe também dar o tom perfeito a cada cena, seja ela dramática ou cómica. E temos ainda a maravilhosa equipa de efeitos visuais, criadores de cenários e batalhas (magnífico clímax final) que são verdadeiros festins para os olhos, além de darem ainda a caracterização perfeita a todas as personagens criadas por CGI, que se fundem perfeitamente com as personagens e os cenários reais.

Além de tudo isto, temos um maravilhoso elenco que aparenta estar a divertir-se ao máximo com as suas personagens. Chow Yun-Fat personifica um maravilhoso pirata, e aproveita ao máximo o tempo em que aparece no ecrã; Geoffrey Rush transpira estilo e pirataria por todos os poros; e o resto do elenco mantém a qualidade a que nos tem habituado (até aquele rapazolas do Orlando Bloom deixou de irritar tanto!).
E temos Keith Richards como pai de Jack Sparrow numa cena que é, numa única palavra, mágica.

De facto, todo o filme é mágico. Esta saga conseguiu criar uma complexa e única mitologia e uma trama complexa que fascina e maravilha o espectador. "Nos Confins do Mundo" não se leva demasiado a sério como fez o primeiro filme, e consegue ser mais profundo, mais elaborado, mais cómico, mais complexo, mais fascinante que o segundo.

É bom saber que ainda existem por aí filmes que conseguem ser, pura e simplesmente, excelente, magnífico enretenimento. Filmes que transportam o espectador para um novo mundo, que não se levam demasiado a sério (apesar de este terceiro capítulo ser, como já disse anteriormente, o mais profundo da trilogia, e conseguir manter de forma perfeita um nível de seriedade que o primeiro filme tentava possuir mas não merecia, e a que o segundo filme pura e simplesmente não aspirava), e que fazem o espectador sorrir mantendo ao mesmo tempo o seu cérebro activo.

"Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é o blockbuster perfeito. Um filme que sabe exactamente o que quer fazer e fá-lo de forma magistral. Uma excelente final para uma boa saga, que atinge o seu auge neste terceiro capítulo... e sejamos honestos: acerca de quantas trilogias podemos dizer isto?





8.8/10

quarta-feira, maio 16, 2007

Comovente

Magnífico. Simplesmente magnífico. É provável que a maior parte de vocês já o tenha visto, mas um vídeo assim vale sempre a pena relembrar (por mais emocionalmente poderoso que seja).

terça-feira, maio 15, 2007

Grandes momentos musicais

Um dos mais subvalorizados filmes da Disney. Fui vê-lo ao cinema tinha eu seis aninhos, e nunca me saiu da memória.






Magnífica banda-sonora de um magnífico filme que, na minha opinião, nunca recebeu o valor devido. Ahh, o que a Disney fazia antigamente... antes de ter ficado sem imaginação/talento e ter ganho aquela obsessão por sequelas que em nada se comparam aos originais.

sábado, maio 12, 2007

Bernardo Sassetti, dia 18 de Maio, em Faro




O grande Bernardo Sassetti (de quem eu fiquei fã, após ter visionado o magnífico "Alice) irá, num concerto em que também comemora o 10º aniversário do seu trio (Sassetti no piano, Carlos Barreto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria), estrear em Faro a sua última composição musical, "Suite Para Dom Roberto", numa encomenda do Cineclube de Faro.

O concerto em questão será dia 18 de Maio, na 6ª feira, no Teatro das Figuras (Teatro Municipal de Faro), pelas 21h30.

Mais informações aqui http://www.cineclubefaro.com/web/programacao/default.asp?p=e&s=3f&d=05&yr=2007.

Tomei conhecimento deste concerto pelo comentário colocado pelo cineclube de faro no blog http://imagensperdidas.blogs.sapo.pt, na crítica feita a "Spider-Man 3".

Transcrevo aqui aquilo que foi colocado neste blog:

"Desculpe a intrusão, mas é o “desespero” a falar :-) a comunicação social dita respeitável não nos liga muito... e dado o seu interesse pelo tema...

enfim, fica a informação!

obrigado.
a direcção do CCF"

A direcção coloca de seguida no comentário a informação que eu coloquei no início deste post.

Mais uma vez, vê-se de facto o interesse da comunicação social pela arte portuguesa. Situações destas irritam-me. Toda a gente sabe do concerto da Beyoncé, mas não se fala do Bernardo Sassetti, um dos grandes artistas que o nosso país tem (o homem fez a banda-sonora do "Alice", pelo amor de Deus! Além das suas outras obras, é claro).

Esta comunicação social realmente de respeitável não tem grande coisa. O desinteresse da imprensa pela arte nacional (e internacional...) é algo que acaba, eventualmente, por ser reflectido no povo português, que continua a ir ao cinema ver qualquer coisa desde que não seja um filme português, e faz o mesmo com a música. Por estas e por outras, as bandas portuguesas e os artistas portugueses de que mais se fala são as Floribelas, os Dzrt, e os 4taste (mas será que nem sequer conseguem arranjar nomes de jeito para estas bandas?!). Têm mais publicidade, claro (e a culpa também é da juventude portuguesa, que não tem uma mentalidade aberta o suficiente para tentar ouvir coisas que não estejam na... "moda"... apesar de podermos afirmar que esta mentalidade é também ela própria fruto do desinteresse da imprensa do qual já falei).
Enfim... situãções destas irritam-me profundamente.


E raios quem me dera viver perto de Faro!

sexta-feira, maio 11, 2007

Spider-Man 3, de Sam Raimi


No meio de tantas teias, a aranha enrolou-se...



"Spider-Man 3" não é um fracasso. Não é um desastre. Longe (mas não muito) disso. Existe, de facto, uma forma perfeita de apreciar este filme. Algo que qualquer pessoa deve fazer, antes de entrar na sala de cinema. Se querem apreciar este filme pelo que é, há algo que devem fazer primeiro: baixem as expectativas. É essa a única forma. Tal como disse, o filme não é um desastre. Mas tendo em conta o segundo filme da saga... "Spider-Man 3" deveria ter sido mais.



Devo dizer que tinha baixas expectativas quando entrei na sala de cinema. A única coisa que ouvia era "blah blah três vilões blah blah venom blah blah um dos filmes americanos mais caros de sempre blah blah". Isto era algo que me assustava verdadeiramente. TRÊS vilões? "Homem-Aranha 2" resultou tão bem devido ao magnífico Alfred Molina, que criou um Doc Ock algo nobre e ameaçador, e devido a um argumento excelente que desenvolvia de forma maravilhosa a relação entre este vilão e o seu inimigo respectivo (Homem-Aranha, obviamente). Mas então... como é que iriam conseguir fazer isso com três vilões? Os meus receios confirmaram-se, e essa relação tão maravilhosa existente em "Spider-Man 2" não ocorre em "Spider-Man 3".

Este terceiro capítulo é uma salganhada. É um filme que tenta ser demasiado ao mesmo tempo, acabando no final por não ser nem metade daquilo que podia (e deveria) ter sido. A primeira meia-hora é, pura e simplesmente, DOLOROSA. Não há outra forma de o dizer. A estrutura narrativa é horrível, com demasiado a acontecer ao mesmo tempo de uma forma demasiado rápida. O espectador não é absorvido pela história... simplesmente é atirado para dentro dela. Durante estes trinta minutos, dei por mim a pensar "Mas... será que foi mesmo o Sam Raimi que realizou isto? Ou será que o homem seimplesmente enlouqueceu?".

Mas, felizmente, a história depois acalma. Encontra-se o (tão pouco desenvolvido) tema principal... nomeadamante, a importância do perdão e o lado auto-destructico da vingança. Um tema interessante, mas que pura e simplesmente não é tratado da forma como deveria ter sido. Mas enfim... a história acalma, as personagens começam a ser mais desenvolvidas... mas o tom não está correcto. Isto deve-se a dois terríveis problemas: a própria estrutura narrativa do filme e a sua forma incompetente de interligar cenas... e a banda-sonora. Falarei de duas cenas em particular, para ilustrar estes dois problemas (sem spoilers, é claro).



A primeira cena é sem dúvida, ainda assim, uma das melhores (senão mesmo A MELHOR) do filme.... o nascimento de Sandman. É um cena sensível, bem desenvolvida, que trata este vilão como se fosse... uma criança, que dá agora os seus primeiros passos num mundo novo. A banda-sonora é também ela sensível, adequada... até ao final. No final da cena, quando Sandman adquire finalmente a forma humana e se levanta do chão, a banda-sonora toma de repente um tom negro, ameaçador... e o espectador fica confuso. Afinal de contas, aquela cena deveria ter sido bela ou asustadora? E será que Sandman é um simples vilão... ou algo mais? A banda-sonora acaba por estragar o final da cena, que poderia ter sido perfeita se o tom tivesse sido mantido do princípio até ao fim. A banda-sonora difere (pela negativa) da dos outros dois filmes. Danny Elfman decidiu abanadonar o lugar de compositor desta saga, após alguns conflictos com Sam Raimi que ocorreram durante "Spider-man 2". O lugar foi ocupado por Christopher Young, compositor de tais obras-primas como "Species - Espécie Mortal", "Ghost Rider", "The Core - Detonação", e ainda do simplesmente brilhante "A Mosca II" (um filme que ainda me causa repulsão, só de falar nele... como se atreveram?). Christopher Young cria uma banda-sonora simples, repetitiva, e banal.

A segunda cena de que quero falar é a do grande climax do filme. Um enorme batalha, com gigantescos efeitos visuais, e sem dúvida a mais elaborada da saga em termos de cenários e número de personagens. Durante esta batalha, a acção é interrompida para um comic-relief que envolve JJ Jameson (a mais cómica personagem da saga, sem dúvida) e uma rapariguinha com uma máquina fotográfica. A cena tem a sua graça... mas o que é que está ali a fazer? Será que o público se deveria mesmo rir no meio de uma batalha daquelas? Num lado temos uma jornalista a gritar "Oh! The brutality!" (oh! a originalidade desta linha de diálogo!), e no outro temos o Jameson com um comic-relief... qual era o tom que o Sam Raimi queria criar, exactamente? Que deve sentir o público, perante esta batalha final?

Problemas deste género acontecem constantemente. Aliados a um argumento repleto de clichés (o herói a chorar com o nascer-do-sol por trás?! Mas que raio?!) e de coincidências (a simbiose cai, sabe-se lá donde, mesmo perto do Peter.... que conveniente... mas não tão conveniente como ter Flint Marko, o vilão do filme, a cair acidentalmente num laboratório (que, por acaso, até era ao ar livre.. pois, estas medidas de segurança...) no preciso momento em que se vai realizar uma anorme experiência que pode ter gaves consequências para o ser humano (nomeadamente, transformá-lo num ser que se pode converter em areia)... e no meio de todas estas coincidências, ainda há aquele mordomo... enfim...), e um Tobey Maguire com alguns problemas em fazer conseguir sair as lágrimas necessárias e que acaba por dar "simplesmente" mais do mesmo ao espectador, "Homem-Aranha 3" acaba por não ser nem metade daquilo que poderia ter sido.

Mas volto a dizê-lo: o filme não é um desastre. Para contrabalançar todos estes problemas, temos uma Kirsten Dunst inspirada (de facto, a história de Mary Jane foi desenvolvida de uma forma extremamente competente neste filme), e um James Franco que pode finalmente fazer alguma coisa com a sua personagem (um Harry Osborn com desejos de vingança... desejos esses que podem finalmente ser executados). E além disso... há as cenas de acção, todas elas bastante elavoradas e cheias de adredalina. Mas note-se o seguinte: "Spider-man 2" tinha apenas duas ou três grandes cenas de acção... e "Spider-man 3" tem provavelmente o dobro. "Spider-Man 2" foi um excelente filme ( o terceiro melhor filme de super-heróis jamais feito, logo a seguir aos dois "Batman", do grande Tim Burton)... "Spider-man 3" fica-se por ser bom entretenimento.

O filme, no geral, resulta. Entrei na sala de cinema com baixas expectativas, e saí do filme impressionado (quer dizer... impressionadito...). É um grande blockbuster, acima da média, com excelentes cenas de acção, alguns bons momentos de humor e... entretém. Por mais falhas que lhe encontre, não posso negar que o filme me entreteu. Algumas cenas verdadeiramente bem conseguidas (volto a dizer que gostei bastante da forma como desenvolveram as personagens de Harry Osborne e Mary Jane), excelentes efeitos visuais (apesar de, ainda assim, seria de esperar mais de um filme com este orçamento...) e, no geral, é bom entretenimento. Não há outra forma de o descrever. Levem alguns amigos, um balde de pipocas... e baixem as expectativas.

Porque, afinal de contas, este filme é apenas bom entretenimento... e nada mais.




6.5/10

domingo, dezembro 03, 2006

Análise de Banda-Sonora: The Fountain, de Clint Mansell

Intelecto-Pessoal


No início, a banda-sonora do aguardado filme «The Fountain» era para ser algo épico, algo com um ritmo mais rápido, com um maior uso de coro, etc etc. Darren Aronofsky decidiu, no entanto, que seria melhor fazer uma banda-sonora mais pessoal, que se concentrasse mais em transmitir os sentimentos das personagens.

E é exactamente isso que esta excelente banda-sonora é.: extremamente pessoal... mas ao mesmo tempo verdadeiramente única.

Clint Mansell e o Kronos Quartet composeram uma banda-sonora com um tom... algo sci-fi punk. A forma como os sons mais agudos, as próprias melodias mais comuns que são usadas... tudo isso transpira um estilo diferente daquilo a que estamos habituados. Pessoal e diferente ao mesmo tempo.
Mesmo as músicas mais épicas, (a incrível, emocionalmente resonante «Death is The Road to Awe») conseguem fazer o espectador sentir um pouco os sentimentos que as personagens devem estar a sentir naquele momento, em vez de simplesmente o impressionar com a forma como a música foi criada. Tendo em conta que eu ainda não vi o filme (vai uma aposta em como as distribuidoras só o vão lançar em DVD?), tenho de deixar a minha imaginação criar aquela cena em particular. Isso é, no entanto, surpreendentemente fácil de fazer, pois as músicas moldam a minha imaginação, transportam-me pelos sentimentos das personagens.
Todas as músicas têm um certo tom emocional que dá para perceber perfeitamente o tipo de filme que irá ser «The Fountain». A maravilhosa música «The Last Man», que é tocada apenas por um piano, revela todo o poder emocional que o filme poderá ter, e a música em si está composta de forma excelente, com aquele tom triste que acalma e leva o ouvinte numa onda de sentimentos.

O único defeito da banda-sonora poderá ser a repetição em algumas músicas, nas quais as mesmas melodias são tocadas demasiadas vezes, até a música avançar finalmente para o seu clímax.

Mas no geral, Clint Mansell compôs uma excelente banda-sonora. Imagino que, quando ouvida e experimentada juntamente com o filme, o efeito emocional de todas estas músicas é ainda maior.

Esperemos que o filme não demore muito a chegar ao nosso país (mas continuo com o palpite que as distribuidras só o irão lançar em DVD... esperemos que eu esteja errado).


8.5/10




sexta-feira, dezembro 01, 2006

Casino Royale. de Martin Campbell

Reboot


Grande parte dos fãs torceu o nariz quando foi anunciado que Daniel Craig iria ser o novo 007, após o abrupto e inesperado despedimento de Pierce Brosnan por parte dos produtores da saga.
Muitos disseram que era um erro, afirmando que Craig não poderia ser um bom James Bond, devido ao facto de ser louro, e de não ter aquele ar de galã tão característico dos anteriores intérpretes do agente secreto. Exacto. O homem é louro, logo é um mau actor.

Lembro-me de pensar para mim próprio... "Mas que raio? Será que ninguém viu o Munique?".

Pois... parece-me que não viram, não...

Descontentes com a direcção que a série estava a tomar (e com muita razão! Hale Berry como Bond Girl? Tema principal da Madonna? Efeitos visuais a torto e a direito? A saga estava a banalizar-se em cada novo capítulo...), os produtores da saga decidiram que era necessário um reboot, um novo capítulo que fizesse Bond regressar às origens.
Adapta-se um filme do primeiro romance de Ian Fleming, contrata-se um actor tão diferente do habitual James Bond, e traz-se de volta o realizador que anteriormente trouxe a série de volta. Mas será que isso resolveu mesmo o problema?

Sim. «Casino Royale» é um excelente filme, e Daniel Craig soube calar todos os que o criticavam, interpretando um James Bond o mais próximo possível do que foi idealizado por Ian Fleming.

Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes de toda a saga. Paul Haggis escreveu um mangífico argumento, concentrando toda a complexidade da história, e sabendo manter mesmo assim a profundidade emocional de todas as personagens. De facto, este Bond tem um certo impacto emocional que nenhum dos outros filmes da saga conseguiu ter, devido à importância que dá ao relacionamento entre James Bond e Vesper Lynd, o grande amor do agente secreto.

Eva Green brilha como Bond Girl, e a sua química com Craig é um dos grandes trunfos do filme. Desta vez, a Bond Girl não existe apenas para ser conquistada por Bond. Desta vez é uma personagem com profundidade emocional, com a sua própria importância na história.

E, sejamos sinceros... em termos de beleza, Eva Green põe a maior parte das Bond Girls a um canto.

E o vilão... mas será que há alguma coisa mais deliciosa que um vilão a usar uma bomba de asma? Digam-me lá se esse não é, pura e simplesmente, um dos melhores pormenores jamais criados na caracterização de qualquer mau-da-fita?
Mads Mikkelsen é um excelente vilão, dando aquele lado malvado mas ao mesmo tempo humano que qualquer bom vilão deve ter. Le Chiffre tornou-se imediatamente um dos meus vilões favoritos de toda a saga.

Mas voltemos ao filme no geral... mencionei acima que Daniel Craig dava vida a um James Bond mais brutal, mais humano. De facto, este agente secreto é mais humano, ainda mais arrogante que o James Bond de Sean Connery ou Roger Moore. Desde quando é que James Bond tem de se ver ao espelho para cuidar das feridas? Desde quando é que James Bond é inexperiente ao ponto de caír em armadilhas? Este é o verdadeiro James Bond. O James Bond de Ian Fleming.

As cenas de acção são mais realistas e logo mais elaboradas (a perseguição perto do início do filme é espectacular), dando ao filme um carácter muito mais sério.

Basicamente, este é um magnífico reboot, um excelente regresso às origens.

Este é James Bond tal como ele deve ser, tal como foi idealizado por Ian Fleming. Mais brutal, mair arrogante, mais humano...

«Casino Royale» é um excelente filme, um filme que agradará a qualquer verdadeiro fã do agente secreto mais famoso do Mundo... e, muito provavelmente, também cativará alguns novos fãs.

Ian Fleming ficaria orgulhoso.



9/10