sábado, maio 26, 2007

Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo

"You're mad!"
"Thank goodness for that because if I wasn't, this'd probably never work."



Chegou finalmente o muito aguardado final da (espero eu...) trilogia que tornou Johny Depp num dos mais famosos actores da sua geração, e ressuscitou um género que há muito estava morto. Os primeiros dois filmes foram de um enorme (e inesperado) sucesso, criando personagens carismáticas e uma trama complexa que chega agora ao fim com este "Nos Confins do Mundo", onde temos novamente Bill Nighy como um capitão metade lula, metade... outras espécies marinhas; Orlando Bloom como um rapazola qualquer que quer salvar a namoradinha; Keira Knightley como a namoradinha que quer ser pirata; Geoffrey Rush como um (excelente) pirata que passou de inimigo a aliado; Chow-Yun Fat como um (também excelente) pirata de Singapura; e Johny Depp como o incomparável Jack Sparrow. E no que é que resultam todas estas personagens, todas elas com os seus diferentes objectivos e história própria?

Tudo isto resulta no blockbuster perfeito. "Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é um magnífico blockbuster, que consegue de forma magistral desenvolver de forma perfeita todas estas personagens, dando-lhes uma conclusão mais que satisfatória, criando assim uma trama complexa que consegue ao mesmo tempo manter aquele tão característico humor dos dois primeiros filmes. Este será, muito provavelmente, o melhor blockbuster que veremos este ano.

Em praticamente três horas, temos uma história repleta de traições, revelações, humor e épicas cenas de acção. O argumento do filme é verdadeiramente excelente, já que consegue tratar todas as personagens com a devida importância, não havendo nenhuma cena desperdiçada ao longo de todo o filme. Os argumentistas sabiam em que direcção levar a história, sabiam a forma adequada de encaixar todas as pequenas peças do puzzle, e fizeram-no de forma exemplar. Isto resulta maravilhosamente com o estilo de Gore Verbinski (realizador dos três filmes), que além de saber exactamente onde colocar e como criar as cenas de acção, sabe também dar o tom perfeito a cada cena, seja ela dramática ou cómica. E temos ainda a maravilhosa equipa de efeitos visuais, criadores de cenários e batalhas (magnífico clímax final) que são verdadeiros festins para os olhos, além de darem ainda a caracterização perfeita a todas as personagens criadas por CGI, que se fundem perfeitamente com as personagens e os cenários reais.

Além de tudo isto, temos um maravilhoso elenco que aparenta estar a divertir-se ao máximo com as suas personagens. Chow Yun-Fat personifica um maravilhoso pirata, e aproveita ao máximo o tempo em que aparece no ecrã; Geoffrey Rush transpira estilo e pirataria por todos os poros; e o resto do elenco mantém a qualidade a que nos tem habituado (até aquele rapazolas do Orlando Bloom deixou de irritar tanto!).
E temos Keith Richards como pai de Jack Sparrow numa cena que é, numa única palavra, mágica.

De facto, todo o filme é mágico. Esta saga conseguiu criar uma complexa e única mitologia e uma trama complexa que fascina e maravilha o espectador. "Nos Confins do Mundo" não se leva demasiado a sério como fez o primeiro filme, e consegue ser mais profundo, mais elaborado, mais cómico, mais complexo, mais fascinante que o segundo.

É bom saber que ainda existem por aí filmes que conseguem ser, pura e simplesmente, excelente, magnífico enretenimento. Filmes que transportam o espectador para um novo mundo, que não se levam demasiado a sério (apesar de este terceiro capítulo ser, como já disse anteriormente, o mais profundo da trilogia, e conseguir manter de forma perfeita um nível de seriedade que o primeiro filme tentava possuir mas não merecia, e a que o segundo filme pura e simplesmente não aspirava), e que fazem o espectador sorrir mantendo ao mesmo tempo o seu cérebro activo.

"Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é o blockbuster perfeito. Um filme que sabe exactamente o que quer fazer e fá-lo de forma magistral. Uma excelente final para uma boa saga, que atinge o seu auge neste terceiro capítulo... e sejamos honestos: acerca de quantas trilogias podemos dizer isto?





8.8/10

quarta-feira, maio 16, 2007

Comovente

Magnífico. Simplesmente magnífico. É provável que a maior parte de vocês já o tenha visto, mas um vídeo assim vale sempre a pena relembrar (por mais emocionalmente poderoso que seja).

terça-feira, maio 15, 2007

Grandes momentos musicais

Um dos mais subvalorizados filmes da Disney. Fui vê-lo ao cinema tinha eu seis aninhos, e nunca me saiu da memória.






Magnífica banda-sonora de um magnífico filme que, na minha opinião, nunca recebeu o valor devido. Ahh, o que a Disney fazia antigamente... antes de ter ficado sem imaginação/talento e ter ganho aquela obsessão por sequelas que em nada se comparam aos originais.

sábado, maio 12, 2007

Bernardo Sassetti, dia 18 de Maio, em Faro




O grande Bernardo Sassetti (de quem eu fiquei fã, após ter visionado o magnífico "Alice) irá, num concerto em que também comemora o 10º aniversário do seu trio (Sassetti no piano, Carlos Barreto no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria), estrear em Faro a sua última composição musical, "Suite Para Dom Roberto", numa encomenda do Cineclube de Faro.

O concerto em questão será dia 18 de Maio, na 6ª feira, no Teatro das Figuras (Teatro Municipal de Faro), pelas 21h30.

Mais informações aqui http://www.cineclubefaro.com/web/programacao/default.asp?p=e&s=3f&d=05&yr=2007.

Tomei conhecimento deste concerto pelo comentário colocado pelo cineclube de faro no blog http://imagensperdidas.blogs.sapo.pt, na crítica feita a "Spider-Man 3".

Transcrevo aqui aquilo que foi colocado neste blog:

"Desculpe a intrusão, mas é o “desespero” a falar :-) a comunicação social dita respeitável não nos liga muito... e dado o seu interesse pelo tema...

enfim, fica a informação!

obrigado.
a direcção do CCF"

A direcção coloca de seguida no comentário a informação que eu coloquei no início deste post.

Mais uma vez, vê-se de facto o interesse da comunicação social pela arte portuguesa. Situações destas irritam-me. Toda a gente sabe do concerto da Beyoncé, mas não se fala do Bernardo Sassetti, um dos grandes artistas que o nosso país tem (o homem fez a banda-sonora do "Alice", pelo amor de Deus! Além das suas outras obras, é claro).

Esta comunicação social realmente de respeitável não tem grande coisa. O desinteresse da imprensa pela arte nacional (e internacional...) é algo que acaba, eventualmente, por ser reflectido no povo português, que continua a ir ao cinema ver qualquer coisa desde que não seja um filme português, e faz o mesmo com a música. Por estas e por outras, as bandas portuguesas e os artistas portugueses de que mais se fala são as Floribelas, os Dzrt, e os 4taste (mas será que nem sequer conseguem arranjar nomes de jeito para estas bandas?!). Têm mais publicidade, claro (e a culpa também é da juventude portuguesa, que não tem uma mentalidade aberta o suficiente para tentar ouvir coisas que não estejam na... "moda"... apesar de podermos afirmar que esta mentalidade é também ela própria fruto do desinteresse da imprensa do qual já falei).
Enfim... situãções destas irritam-me profundamente.


E raios quem me dera viver perto de Faro!

sexta-feira, maio 11, 2007

Spider-Man 3, de Sam Raimi


No meio de tantas teias, a aranha enrolou-se...



"Spider-Man 3" não é um fracasso. Não é um desastre. Longe (mas não muito) disso. Existe, de facto, uma forma perfeita de apreciar este filme. Algo que qualquer pessoa deve fazer, antes de entrar na sala de cinema. Se querem apreciar este filme pelo que é, há algo que devem fazer primeiro: baixem as expectativas. É essa a única forma. Tal como disse, o filme não é um desastre. Mas tendo em conta o segundo filme da saga... "Spider-Man 3" deveria ter sido mais.



Devo dizer que tinha baixas expectativas quando entrei na sala de cinema. A única coisa que ouvia era "blah blah três vilões blah blah venom blah blah um dos filmes americanos mais caros de sempre blah blah". Isto era algo que me assustava verdadeiramente. TRÊS vilões? "Homem-Aranha 2" resultou tão bem devido ao magnífico Alfred Molina, que criou um Doc Ock algo nobre e ameaçador, e devido a um argumento excelente que desenvolvia de forma maravilhosa a relação entre este vilão e o seu inimigo respectivo (Homem-Aranha, obviamente). Mas então... como é que iriam conseguir fazer isso com três vilões? Os meus receios confirmaram-se, e essa relação tão maravilhosa existente em "Spider-Man 2" não ocorre em "Spider-Man 3".

Este terceiro capítulo é uma salganhada. É um filme que tenta ser demasiado ao mesmo tempo, acabando no final por não ser nem metade daquilo que podia (e deveria) ter sido. A primeira meia-hora é, pura e simplesmente, DOLOROSA. Não há outra forma de o dizer. A estrutura narrativa é horrível, com demasiado a acontecer ao mesmo tempo de uma forma demasiado rápida. O espectador não é absorvido pela história... simplesmente é atirado para dentro dela. Durante estes trinta minutos, dei por mim a pensar "Mas... será que foi mesmo o Sam Raimi que realizou isto? Ou será que o homem seimplesmente enlouqueceu?".

Mas, felizmente, a história depois acalma. Encontra-se o (tão pouco desenvolvido) tema principal... nomeadamante, a importância do perdão e o lado auto-destructico da vingança. Um tema interessante, mas que pura e simplesmente não é tratado da forma como deveria ter sido. Mas enfim... a história acalma, as personagens começam a ser mais desenvolvidas... mas o tom não está correcto. Isto deve-se a dois terríveis problemas: a própria estrutura narrativa do filme e a sua forma incompetente de interligar cenas... e a banda-sonora. Falarei de duas cenas em particular, para ilustrar estes dois problemas (sem spoilers, é claro).



A primeira cena é sem dúvida, ainda assim, uma das melhores (senão mesmo A MELHOR) do filme.... o nascimento de Sandman. É um cena sensível, bem desenvolvida, que trata este vilão como se fosse... uma criança, que dá agora os seus primeiros passos num mundo novo. A banda-sonora é também ela sensível, adequada... até ao final. No final da cena, quando Sandman adquire finalmente a forma humana e se levanta do chão, a banda-sonora toma de repente um tom negro, ameaçador... e o espectador fica confuso. Afinal de contas, aquela cena deveria ter sido bela ou asustadora? E será que Sandman é um simples vilão... ou algo mais? A banda-sonora acaba por estragar o final da cena, que poderia ter sido perfeita se o tom tivesse sido mantido do princípio até ao fim. A banda-sonora difere (pela negativa) da dos outros dois filmes. Danny Elfman decidiu abanadonar o lugar de compositor desta saga, após alguns conflictos com Sam Raimi que ocorreram durante "Spider-man 2". O lugar foi ocupado por Christopher Young, compositor de tais obras-primas como "Species - Espécie Mortal", "Ghost Rider", "The Core - Detonação", e ainda do simplesmente brilhante "A Mosca II" (um filme que ainda me causa repulsão, só de falar nele... como se atreveram?). Christopher Young cria uma banda-sonora simples, repetitiva, e banal.

A segunda cena de que quero falar é a do grande climax do filme. Um enorme batalha, com gigantescos efeitos visuais, e sem dúvida a mais elaborada da saga em termos de cenários e número de personagens. Durante esta batalha, a acção é interrompida para um comic-relief que envolve JJ Jameson (a mais cómica personagem da saga, sem dúvida) e uma rapariguinha com uma máquina fotográfica. A cena tem a sua graça... mas o que é que está ali a fazer? Será que o público se deveria mesmo rir no meio de uma batalha daquelas? Num lado temos uma jornalista a gritar "Oh! The brutality!" (oh! a originalidade desta linha de diálogo!), e no outro temos o Jameson com um comic-relief... qual era o tom que o Sam Raimi queria criar, exactamente? Que deve sentir o público, perante esta batalha final?

Problemas deste género acontecem constantemente. Aliados a um argumento repleto de clichés (o herói a chorar com o nascer-do-sol por trás?! Mas que raio?!) e de coincidências (a simbiose cai, sabe-se lá donde, mesmo perto do Peter.... que conveniente... mas não tão conveniente como ter Flint Marko, o vilão do filme, a cair acidentalmente num laboratório (que, por acaso, até era ao ar livre.. pois, estas medidas de segurança...) no preciso momento em que se vai realizar uma anorme experiência que pode ter gaves consequências para o ser humano (nomeadamente, transformá-lo num ser que se pode converter em areia)... e no meio de todas estas coincidências, ainda há aquele mordomo... enfim...), e um Tobey Maguire com alguns problemas em fazer conseguir sair as lágrimas necessárias e que acaba por dar "simplesmente" mais do mesmo ao espectador, "Homem-Aranha 3" acaba por não ser nem metade daquilo que poderia ter sido.

Mas volto a dizê-lo: o filme não é um desastre. Para contrabalançar todos estes problemas, temos uma Kirsten Dunst inspirada (de facto, a história de Mary Jane foi desenvolvida de uma forma extremamente competente neste filme), e um James Franco que pode finalmente fazer alguma coisa com a sua personagem (um Harry Osborn com desejos de vingança... desejos esses que podem finalmente ser executados). E além disso... há as cenas de acção, todas elas bastante elavoradas e cheias de adredalina. Mas note-se o seguinte: "Spider-man 2" tinha apenas duas ou três grandes cenas de acção... e "Spider-man 3" tem provavelmente o dobro. "Spider-Man 2" foi um excelente filme ( o terceiro melhor filme de super-heróis jamais feito, logo a seguir aos dois "Batman", do grande Tim Burton)... "Spider-man 3" fica-se por ser bom entretenimento.

O filme, no geral, resulta. Entrei na sala de cinema com baixas expectativas, e saí do filme impressionado (quer dizer... impressionadito...). É um grande blockbuster, acima da média, com excelentes cenas de acção, alguns bons momentos de humor e... entretém. Por mais falhas que lhe encontre, não posso negar que o filme me entreteu. Algumas cenas verdadeiramente bem conseguidas (volto a dizer que gostei bastante da forma como desenvolveram as personagens de Harry Osborne e Mary Jane), excelentes efeitos visuais (apesar de, ainda assim, seria de esperar mais de um filme com este orçamento...) e, no geral, é bom entretenimento. Não há outra forma de o descrever. Levem alguns amigos, um balde de pipocas... e baixem as expectativas.

Porque, afinal de contas, este filme é apenas bom entretenimento... e nada mais.




6.5/10

domingo, dezembro 03, 2006

Análise de Banda-Sonora: The Fountain, de Clint Mansell

Intelecto-Pessoal


No início, a banda-sonora do aguardado filme «The Fountain» era para ser algo épico, algo com um ritmo mais rápido, com um maior uso de coro, etc etc. Darren Aronofsky decidiu, no entanto, que seria melhor fazer uma banda-sonora mais pessoal, que se concentrasse mais em transmitir os sentimentos das personagens.

E é exactamente isso que esta excelente banda-sonora é.: extremamente pessoal... mas ao mesmo tempo verdadeiramente única.

Clint Mansell e o Kronos Quartet composeram uma banda-sonora com um tom... algo sci-fi punk. A forma como os sons mais agudos, as próprias melodias mais comuns que são usadas... tudo isso transpira um estilo diferente daquilo a que estamos habituados. Pessoal e diferente ao mesmo tempo.
Mesmo as músicas mais épicas, (a incrível, emocionalmente resonante «Death is The Road to Awe») conseguem fazer o espectador sentir um pouco os sentimentos que as personagens devem estar a sentir naquele momento, em vez de simplesmente o impressionar com a forma como a música foi criada. Tendo em conta que eu ainda não vi o filme (vai uma aposta em como as distribuidoras só o vão lançar em DVD?), tenho de deixar a minha imaginação criar aquela cena em particular. Isso é, no entanto, surpreendentemente fácil de fazer, pois as músicas moldam a minha imaginação, transportam-me pelos sentimentos das personagens.
Todas as músicas têm um certo tom emocional que dá para perceber perfeitamente o tipo de filme que irá ser «The Fountain». A maravilhosa música «The Last Man», que é tocada apenas por um piano, revela todo o poder emocional que o filme poderá ter, e a música em si está composta de forma excelente, com aquele tom triste que acalma e leva o ouvinte numa onda de sentimentos.

O único defeito da banda-sonora poderá ser a repetição em algumas músicas, nas quais as mesmas melodias são tocadas demasiadas vezes, até a música avançar finalmente para o seu clímax.

Mas no geral, Clint Mansell compôs uma excelente banda-sonora. Imagino que, quando ouvida e experimentada juntamente com o filme, o efeito emocional de todas estas músicas é ainda maior.

Esperemos que o filme não demore muito a chegar ao nosso país (mas continuo com o palpite que as distribuidras só o irão lançar em DVD... esperemos que eu esteja errado).


8.5/10




sexta-feira, dezembro 01, 2006

Casino Royale. de Martin Campbell

Reboot


Grande parte dos fãs torceu o nariz quando foi anunciado que Daniel Craig iria ser o novo 007, após o abrupto e inesperado despedimento de Pierce Brosnan por parte dos produtores da saga.
Muitos disseram que era um erro, afirmando que Craig não poderia ser um bom James Bond, devido ao facto de ser louro, e de não ter aquele ar de galã tão característico dos anteriores intérpretes do agente secreto. Exacto. O homem é louro, logo é um mau actor.

Lembro-me de pensar para mim próprio... "Mas que raio? Será que ninguém viu o Munique?".

Pois... parece-me que não viram, não...

Descontentes com a direcção que a série estava a tomar (e com muita razão! Hale Berry como Bond Girl? Tema principal da Madonna? Efeitos visuais a torto e a direito? A saga estava a banalizar-se em cada novo capítulo...), os produtores da saga decidiram que era necessário um reboot, um novo capítulo que fizesse Bond regressar às origens.
Adapta-se um filme do primeiro romance de Ian Fleming, contrata-se um actor tão diferente do habitual James Bond, e traz-se de volta o realizador que anteriormente trouxe a série de volta. Mas será que isso resolveu mesmo o problema?

Sim. «Casino Royale» é um excelente filme, e Daniel Craig soube calar todos os que o criticavam, interpretando um James Bond o mais próximo possível do que foi idealizado por Ian Fleming.

Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes de toda a saga. Paul Haggis escreveu um mangífico argumento, concentrando toda a complexidade da história, e sabendo manter mesmo assim a profundidade emocional de todas as personagens. De facto, este Bond tem um certo impacto emocional que nenhum dos outros filmes da saga conseguiu ter, devido à importância que dá ao relacionamento entre James Bond e Vesper Lynd, o grande amor do agente secreto.

Eva Green brilha como Bond Girl, e a sua química com Craig é um dos grandes trunfos do filme. Desta vez, a Bond Girl não existe apenas para ser conquistada por Bond. Desta vez é uma personagem com profundidade emocional, com a sua própria importância na história.

E, sejamos sinceros... em termos de beleza, Eva Green põe a maior parte das Bond Girls a um canto.

E o vilão... mas será que há alguma coisa mais deliciosa que um vilão a usar uma bomba de asma? Digam-me lá se esse não é, pura e simplesmente, um dos melhores pormenores jamais criados na caracterização de qualquer mau-da-fita?
Mads Mikkelsen é um excelente vilão, dando aquele lado malvado mas ao mesmo tempo humano que qualquer bom vilão deve ter. Le Chiffre tornou-se imediatamente um dos meus vilões favoritos de toda a saga.

Mas voltemos ao filme no geral... mencionei acima que Daniel Craig dava vida a um James Bond mais brutal, mais humano. De facto, este agente secreto é mais humano, ainda mais arrogante que o James Bond de Sean Connery ou Roger Moore. Desde quando é que James Bond tem de se ver ao espelho para cuidar das feridas? Desde quando é que James Bond é inexperiente ao ponto de caír em armadilhas? Este é o verdadeiro James Bond. O James Bond de Ian Fleming.

As cenas de acção são mais realistas e logo mais elaboradas (a perseguição perto do início do filme é espectacular), dando ao filme um carácter muito mais sério.

Basicamente, este é um magnífico reboot, um excelente regresso às origens.

Este é James Bond tal como ele deve ser, tal como foi idealizado por Ian Fleming. Mais brutal, mair arrogante, mais humano...

«Casino Royale» é um excelente filme, um filme que agradará a qualquer verdadeiro fã do agente secreto mais famoso do Mundo... e, muito provavelmente, também cativará alguns novos fãs.

Ian Fleming ficaria orgulhoso.



9/10

sexta-feira, outubro 06, 2006

Onde estás, "Scanner Darkly"?

Lembro-me de, já há algum tempo atrás, ter descoberto que o filme "A Scanner Darkly" (baseado na obra homónima de Phillip K. Dick), iria estrear nos cinemas portugueses algures no final de Setembro.
Fiquei, obviamente, extremamemente satisfeito. "Graças a Deus que as distribuidoras não se esqueceram deste!", pensei eu.
Estando extremamente curioso para ver o filme, esperei calmamente até este estrear.

E esperei.

E esperei mais algum tempo.

E o filme foi adiado por tempo indefinido, obviamente. Estamos em Outubro, e o "Scanner Darkly" está nos cinemas? Não.

É óbvio que as distribuidoras encontraram outros filmes mais dignos de serem distribuídos por terras lusas. Filmes como "Eu, Tu e o Emplastro", "Open Water 2" (mas será que fazem sequelas de tudo, hoje em dia?), "O Coleccionador de Olhos"... enfim, filmes de uma inteligência extrema (então o do emplastro, só em termos de poder intelectual põe o "Donnie Darko" a um canto!).

E enquanto essas obras-primas estão nas salas de cinema, o "Scanner Darkly" está por aí.. algures...


Enfim... talvez o possamos encontrar, daqui a alguns meses.


Esperemos que não seja em DVD.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Site oficial de The Fountain

Foi lançado, já há algum tempo, o site oficial daquele que eu considero que virá provavelmente a ser o melhor filme de 2006, e uma magnífica obra-prima: The Fountain.
Se acham que estou a exagerar, vejam o trailer. Parece ser um filme visualmente incrível, e com uma das histórias mais originais e mais épicas que eu jamais vi.

Mas enfim... no site oficial do filme (http://thefountainmovie.warnerbros.com), há uma secção chamada "Experience".

Vão á secção 1500, cliquem em "The Underworld" e vejam a beleza desenrolar-se perante os vossos olhos.

Este filme será algo verdadeiramente único...

terça-feira, setembro 12, 2006

Citizen Kane, de Orson Welles

O mais espantoso em Citizen Kane, aquilo que torna este filme uma verdadeira obra-prima, é o facto de, mesmo após tantos anos, o podermos comparar aos filmes que andam por aí hoje em dia e ainda assim apelidá-lo de obra-prima. É um filme que, independentemente do impacto que teve na altura em que estreou (no longínquo ano de 1941), é ainda hoje um filme verdadeiramente magnífico. As actuações dos actores ainda são excelentes, o argumento ainda está maravilhosamente bem escrito, e tecnicamente o filme pode ser facilmente comparado com as obras cinematográficas feitas hoje em dia. Se não fosse o facto de o filme ser a preto-e-branco (e alguns elementos da história, obviamente), eu diria que o filme é deste ano.

É verdadeiramente incrível. Eu não julgo o filme pela qualidade que tinha em 1941, eu julgo o filme pela qualidade que tem hoje. E é um filme que é uma obra-prima mesmo no meio dos filmes feitos actualmente. Em tantos anos desde a sua estreia, Citizen Kane não perdeu um pingo de qualidade.

Raios, o que é que me interessa se o filme foi considerado uma obra-prima, quando estreou em 1941 (que por acaso até creio que não foi, mas enfim...)? O que é que me interessa se toda a gente diz "Ah sim, para a altura em que foi feito, é sem dúvida um filme magnífico"? Não é assim que eu julgo filmes feitos há dezenas de anos atrás. Eu julgo-os pela qualidade que têm hoje em dia, não pela que tinham quando estrearam. Eu julgo-os pela qualidade que têm face ao cinema dos dias de hoje, e não á do cinema de há vários anos atrás.

A história do magnata Charles Foster Kane continua actual. O filme, comparado com o cinema feito actualmente, continua a ser uma obra-prima. Esta obra de Orson Welles continua a ser um filme que espalha a sua grandeza pela alma do espectador (pelo menos é isso que fez comigo...).

O argumento está brilhantemente bem escrito. A história é contada com uma segurança narrativa, com uma sensibilidade que chega a comover o espectador. O espectador sente tristeza ao ver como ocorreu a queda de Kane, e a forma como no final ele não conseguiu aquilo que verdadeiramente desejava: amor incondicional.

Tanto dinheiro, fama e poder não lhe serviu de nada. Porque aquilo que ele queria era exactamente aquilo que não pode ser comprado.
A sua obsessão por mais e mais poder acabou por afastar todos aqueles que gostavam dele... o erguer e a queda de um magnata.

Citizen Kane é, basicamente, um dos melhores filmes feitos até hoje.


10/10

domingo, setembro 10, 2006

2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick


Muito estilo e pouca substãncia

2001: Odisseia no Espaço é considerado uma obra-prima. Um marco incortonável na história do cinema. E é, de facto, um filme extremamente original e único.

Deveria aqui colocar uma pequena introdução à história e às personagens do filme. Vou dar o meu melhor na introdução á história. Mas nada posso fazer em relação ás personagens. Odisseia no Espaço é um filme que não tem personagens. Mas isso é para falar mais á frente na crítica...

Nos primórdios da humanidade, um grupo de macacos pré-históricos descobre um estranho objecto, de criação artificial, colocado no planeta Terra. Esse objecto acaba por afectar o seu desenvolvimento, levando-os a evoluir para aquilo que somos hoje.
Milhares de anos mais tarde (provavelmente no ano 2001, sendo esse o título do filme) um cientista é enviado, juntamente com uma equipa, á superfície da lua onde um estranho objecto (similar àquele encontrado milhares de anos antes) foi encontrado.

Não quero estragar a história a ninguém, por isso não vou avançar mais (temendo, na realidade, que talvez até já tenha avançado demasiado).

Odisseia no Espaço é um filme diferente de todos os outros filme jamais feitos até hoje, com um estilo único. As longas sequências lentas, acompanhadas por maravilhosos segmentos de música clássica, a forma realista como o filme encara a vida no espaço... a própria história é única, e contada de uma forma única.

Ou seja, é um filme com muito, muito estilo.

Mas pouca (ou nenhuma) substância.

Kubrick atira-nos com uma história estranha à cara, e diz-nos para sermos nós a interpretá-la. Mas não vale a pena interpretá-la. A história não tem nenhuma lição moral, a história não é nenhuma metáfora para a demonstração de sentimentos humanos. A única emoção transitida pelo filme é a de humanização de seres artificiais, revelada por Kubrick numa cena brilhante.

Uma cena que dura cerca de cinco minutos... e cinco minutos de emoção para um filme que dura mais de duas horas é muito pouco...

Ou seja, 2001: Odisseia no Espaço é mais uma proeza técnica do que outra coisa qualquer. Kubrick usa uma história sem objectividade para utilizar todo o tipo de brinquedos ao seu dispôr, para criar uma obra que não é mais nada a não ser algo que revela um estilo interessante por parte do seu realizador.

2001: Odisseia no Espaço não tem objectivo. É penas um conjunto de sequências bem elaboradas, com um estilo único. Mas com que propósito é que são mostradas? Será que têm algum objectivo? Alguma mensagem?

Não. Infelizmente não.

O faco de um filme ter, de facto, uma história diferente e original não lhe dá qualquer tipo de substância. 2001 é um filme sem sentimentos, sem mensagens.

Mas enfim... tecnicamente, está muito bem feito. Mas é preciso mais que isso, para fazer um filme verdadeiramente bom. Porque, tal como eu disse antes, este filme não tem personagens. Tem apenas longas cenas, sem qualquer objectivo.


5/10

Esta moda dos Blogs...

Criei este blog já há alguns meses atrás. Por falta de tempo (e de paciência), nunca fiz um único post.

Talvez agora comece a fazê-lo. Agora que tenho finalmente tempo (e paciência), creio que talvez vá aderir a esta moda dos blogs. Tenho passado algum tempo a visitar outros blogs, a conversar com outros autores, e decidi que também quero fazer parte desta agradável comunidade.

E do que é que eu vou falar, exactamente? Bem... o blog chama-se cinema (originalidade incrível, eu sei...), por isso...